Belga defende taxa sobre transações financeiras

O deputado da União Européia, Harlem Desir, sugeriu neste sábado a adoção da taxa Tobin, a ser imposta sobre as transações financeiras internacionais, e a criação de um órgão para a aplicar tudo o que for arrecadado nos países pobres. Desir fez a proposta na conferência de abertura do Fórum Parlamentar Mundial, que ocorre simultaneamente ao Fórum Social Mundial (FSM), na capital gaúcha. Seria uma maneira, segundo ele, de pôr um freio nos ganhos dos especuladores internacionais.Idealizada pelo Prêmio Nobel de Economia, o norte-americano James Tobin, a taxa Tobin (0,05% sobre as transações) supostamente levantaria, em um ano, mais de US$ 100 milhões. Os valores seriam encaminhados para um fundo mundial, a ser utilizado na estabilização da moeda, desenvolvimento econômico e social e financiamento de ações humanitárias de urgência."É uma taxa sobre o pecado, como aquelas que existem sobre o álcool e o fumo", ponderou. "A Câmara de Representantes e o Senado da Bélgica já tomaram a decisão de solicitar a implantação da taxa Tobin", comentou. Como a Bélgica presidirá a União Européia no segundo semestre, Desir acha que a iniciativa poderá ir adiante. Salientou que, desde o lançamento, no ano passado, de um movimento mundial de deputados e senadores pró-taxa Tobin, mais de 480 parlamentares, de vários países do mundo, já assinaram o documento pedindo a implantação dao tributo.Da discussão inicial do Fórum Parlamentar Mundial também participaram o representante da Africa do Sul, Ben Turok, e o presidente do Congresso de Cuba, Ricardo Alarcón Quesada. Para Quesada, a dívida externa dos países do Terceiro Mundo é impossível de pagar. Valendo-se de números da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que, em 1980, a dívida dos países periféricos alcançava US$ 567 bilhôes."De 1980 a 1999, a soma dos pagamentos realizados pelos países devedores foi quase cinco vezes o valor da dívida de 19 anos atrás", registrou. "E, no mesmo período, o número de pessoas pobres na América Latina passou de 90 milhões para 200 milhões", comparou. "Para cumprir a obrigação foi preciso multiplicar o número de pobres", disse.

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