Beira-Mar se esquiva de perguntas da CPI

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, fez pouco caso dos integrantes da CPI mista que investiga roubo de cargas no País, ao alegar que não iria prestar nenhuma informação porque não queria "cagüetar ninguém". Numa conversa anterior que teve com o presidene e o relator da comissão, senador Romeu Tuma (PFL-SP) e deputado Oscar Andrade (PFL-RR), ele havia se mostrado disposto a colaborar para ajudar nas apurações sobre o roubo de caminhões e o narcotráfico. Beira-Mar está preso desde março na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, mas, ainda esta semana, ele será transferido para uma cela de segurança máxima do Presídio da Papuda. Ele ressalvou, logo no início do depoimento, que não é mais traficante, mas, sim "ex-traficante aposentado". Fernando Beira-Mar chegou algemado para depor, sob a vigilância de 25 agentes da Polícia Federal. No Senado, ele ficou livre das algemas, mas o esquema para impedir sua fuga foi reforçado por mais 20 seguranças da Casa. De camiseta sem mangas e com o braço direito carregado numa tipóia, ele parecia bem disposto, mas duas horas depois de começado o depoimento alegou que precisava de atendimento médico, porque sentia dores no ombro, atingido por tiros do Exécito colombiano em março. Na época, quando foi detido, ele disse que vivia numa área protegida por guerrilheiros das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farcs). Irônico, com negativas cheias de sarcasmo, Fernando Beira-Mar deixou claro que não pretende colaborar com as investigações. Ele negou conhecer todas as pessoas envolvidas no roubo de carga que foram citadas pelos deputados. Negou igualmente se lembrar de dados relacionados à vida que levou quando morou no Paraguai. "Não lembrar é uma forma de não atender às suas perguntas", alegou, para justificar seu silêncio diante das perguntas feitas pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). Beira-Mar chamou de "louco e lunático" o detento Sálvio Vilar - que também responde pelo nome de Laércio Barbosa. Condenado a 11 anos de prisão, Vilar procurou colaborar com as investigação da CPI do Narcotráfico, encerrada no início do ano, e agora com a comissão do roubo de cargas. Ele disse que, em 1999, viu Fernandinho Beira-Mar numa festa em Minas Gerais, na companhia do empresário Paulo César Santiago e de seu irmão, deputado estadual Arlen Santiago (PTB-MG), que foram investigados pelo roubo de carga.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.