Beira-Mar não poderá voltar à Colômbia

Ao contrário do que havia sido divulgado ontem, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, não foi oficialmente "deportado" para o Brasil, mas, sim "expulso" da Colômbia. Com isso, ele não poderá voltar ao país pelos próximos cinco anos. Segundo o coronel Gérman Gustavo Jaramilho, diretor do Departamento de Administração e Segurança, órgao da Polícia Nacional colombiana, a opção pela expulsão foi tomada porque contra ela não se pode interpor qualquer recurso jurídico, e pelo fato de ser uma decisão de caráter imediato. A expulsão se deu, oficialmente, por um motivo inusitado: falta de provas de seu envolvimento com o narcotráfico. A conclusão é do Fiscal General da la Nación (cargo equivalente, no Brasil, ao de Procurador-Geral da República), Alfonso Gomez Mendez, que divulgou nota na manhã de hoje com os argumentos que fundamentaram a expulsão. Segundo Mendez, o único crime cometido por Beira-Mar foi o de falsidade ideológica. Com ele, o Exército encontrou um passaporte falso. Beira-Mar foi preso no último sábado em uma região de mata fechada, no Departamento de Vichada, a 600 quilômetros de Bogotá, próximo da fronteira do Brasil. O traficante foi levado para a sede da Fiscalía, no centro da capital colombiana, onde foi interrogado por cerca de 72 horas. Segundo o procurador, Beira-Mar seria mais útil no Brasil, onde está condenado a 30 anos de prisão por tráfico de drogas, e ainda responde a outros processos pelo mesmo motivo. Mendez ressaltou, no entanto, que as investigacões das supostas ligações do traficante com o narcotráfico e com as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas continuarão, a pesar de seu retorno para o Brasil. Ainda em Bogotá, o traficante conversou por uma hora com policiais federais na sede da Fiscalía. Ele negou que tenha qualquer lista com nomes de empresários, políticos e policiais envolvidos com narcotráfico, como havia sido divulgado pelo secretário de Segurança do Rio, coronel Josias Quintal. O traficante também foi dúbio ao falar sobre o seu envolvimento com as Farc, ora dizendo que mantinha negócios com os guerrilheiros, ora negando a mesma afirmação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.