Bebetto Haddad pede desfiliação do PMDB e atrai militantes da sigla para campanha de Serra

Ex-secretário de Esportes da Prefeitura virou desafeto no partido por se opor à candidatura de Gabriel Chalita

Felipe Frazão, de O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2012 | 22h45

Depois de deixar a secretaria municipal de Esportes, Lazer e Recreação para compor a equipe de coordenação da campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, Bebetto Haddad, ex-presidente municipal do PMDB, anunciou na noite desta segunda-feira, dia 13, sua desfiliação do partido. Bebetto afirmou que ficará sem partido até o fim das eleições ao lado dos tucanos. Ele recebeu propostas para se filiar ao PV, PR e PSD. (Veja as páginas 1 e 2 da carta de desfiliação de Bebetto ao presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (PMDB/RO).

Bebetto reuniu cerca de 50 integrantes do PMDB em uma pizzaria na zona sul da capital paulista, entre líderes de diretórios e militantes da época do antigo MDB. Ele pediu que os integrantes fiquem no PMDB. Mas os convidou a fazer campanha para Serra e recebeu votos de apoio: "Estamos onde você estiver. Você é nosso amigo."

O ex-peemedebista vai coordenar parte da campanha serrista por influência do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Ele havia se negado a deixar a pasta de Esportes e abandonar Kassab em março, quando foi pressionado a sair por Temer para dar "liberdade" às críticas do candidato da sigla, deputado federal Gabriel Chalita.

Estavam na reunião membros de diretórios como Santana, zona norte, e São Miguel Paulista, zona leste. Todos eram ligados ao ex-governador Orestes Quércia, morto em 2010.

A ala quercista do partido prometeu dar apoio a Bebetto e ficar "na resistência" dentro do PMDB, até que ele volte. Eles não pretendem trabalhar na campanha de Gabriel Chalita.

"É doloroso ver um companheiro sair do PMDB. Nós vamos fazer que nem uma ostra e nos esconder um pouquinho. Eles não vão ganhar essa eleição. Depois da eleição nós vamos bater chapa e disputar lá. Você vai (Bebetto) e depois nós vamos trazer você (de volta) lá em cima", disse Francisco de Oliveira Prado, o Chicão.

Chalita filiou-se ao partido em junho do ano passado, ao receber a promessa de poder ser candidato à sucessão de Kassab. A equipe de Chalita e o diretório estadual desfizeram acordos políticos costurados por Bebetto, inclusive em cidades da Grande São Paulo e do interior, como Catanduva e Guarulhos, acusa o ex-secretário.

"De repente o PMDB muda, vira o PMDB do acordo. Não é mais aquele que lutamos por ele. Lutei muito pelo partido. Isso para mim é muito dolorido. É um dos dias mais importantes da minha vida. Vou buscar um rumo novo, um rumo nosso, porque não quero a humilhação de ser expulso", discursou Bebetto. "Sou contrário à candidatura do Chalita, porque ele é mentiroso e não tem a menor condição de governar. Eu dei o partido a ele num compromisso assumido comigo de que não haveria retaliação. E houve."

Integrantes da chapa que dominou o PMDB na gestão Chalita já haviam dito que estavam com pedido de expulsão pronto semana passada, quando Bebetto começou a frequentar as agendas de Serra.

Em 2014, Bebetto deseja se lançar novamente candidato a deputado federal com apoio de Kassab. Ele foi parlamentar por dois mandatos. Bebetto pode voltar ao PMDB ou migrar para o PSD.

Chalita foi citado pelos militantes na reunião como um "menino birrento" que não respeita a história do partido.

Bebetto afirmou ter dissolvido o diretório do partido e composto uma comissão provisória presidida por Chalita a pedido do vice-presidente da República, Michel Temer – padrinho político de Chalita.

Apoiador de Bebetto, o ex-secretário adjunto de Esportes Gilberto Nucci, também exonerado por Kassab, continuará no PMDB como membro da executiva estadual.

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