Bebê indígena desaparecido é encontrado em Dourados

Um bebê indígena com dez meses de idade desapareceu dia 29 último do Hospital Universitário de Dourados, e foi localizado somente no final da tarde de quinta-feira, 5. Segundo o médico da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Zelik Trajber, a localização da criança aconteceu depois de uma semana de buscas, realizadas por equipes da instituição na Reserva Indígena de Douradas, a 220 quilômetros de Campo Grande, onde todas as moradias existentes nas duas aldeias que existem do local foram vistoriadas.Ele explicou que, a exemplo de outras ocorrências do gênero, o menor foi retirado do hospital sem autorização médica, e neste caso, com aparência de subnutrição devido a uma cardiopatia congênita. "O menino mora com os pais na Aldeia Jaguapiru e foi encontrado em casa de parentes, longe de onde reside, para não ser localizado." Trajber, disse também que as famílias indígenas da reserva não concordam com a internação das crianças, mesmo que elas estejam correndo risco de morte.Lembrou que, ao localizar o menor, tentou convencer pai e mãe para que a criança fosse reiternada. "Nada convenceu os pais. O jeito foi combinar o tratamento na casa do paciente, o que não é recomendado." No final do mês passado, uma mãe indígena tirou do hospital em Dourados uma criança que estava sob tratamento médico intensivo. Andou quase 15 quilômetros até chegar na casa de conhecidos, sob forte sol, e a criança acabou morrendo.CrençaDas seis mortes de indiozinhos da reserva ocorridas neste ano, três foram devido à resistência dos pais ao tratamento hospitalar. Pai, mãe ou irmãos do paciente ficam rondando os hospitais onde os filhos estão internados, até encontrar uma chance de retirá-los sem que algum funcionário perceba, conforme explicou uma das enfermeiras. Normalmente, ao chegarem em casa, o estado de saúde fica mais grave e voltam aflitos.Um dos motivos para essa pratica é a crença entre os guarani-caiová de que as crianças que morrem fora da aldeia e são reencarnadas não voltarão ao lugar de origem, passando a viver como índio sem-terra. Os diversos acampamentos indígenas existentes na região, o sul do Estado, são vistos como exemplos para as famílias mais tradicionais. Elas acreditam que dificilmente os índios sem aldeia terão paz, porque sempre estarão perambulando a procura de terras.Na localidade de Porto Cambira, às margens do Rio Dourado, em Dourados, um grupo de quase 300 guarani-caiovás vive essa situação. Eles estão acampados há dois anos no local, depois que foram expulsos da Reserva Indígena de Dourados e defendem o acampamento como terra da nação caiová. Estão permanentemente em estado de guerra, condição que levou nove deles a assassinar com armas rudimentares, no dia 1º. de abril do ano passado, dois policiais civis e ferir gravemente um terceiro.Os três passavam em um carro nas proximidades do acampamento, para atender uma ocorrência policial em um bairro vizinho, quando foram surpreendidos pelos índios Walmir Junior Savala, Lindomar Brites de Oliveira, Márcio da Silva Lins, Paulino Lopes, Ezequiel Valensuela, Jair Aquino Fernandes, Hermínio Romero o cacique Carlito Oliveira e Sandra Arevalo Savala.Por questões de competência, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), decidiu libertar os nove, alegando que o assunto deve ser tratado pela Justiça Federal. Foi revogado o mandado de prisão, expedido pela juíza da 1ª Vara Criminal do Estado em Dourados, Dileta Therezinha. Deixaram a cadeia na segunda-feira desta semana.

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