BC viabiliza ação contra Jader, diz Brindeiro

O Banco Central deu um tiro de misericórdia na defesa do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e afirmou, dessa vez sem rodeios, que o então governador do Pará foi um dos autores do rombo no Banco do Estado do Pará (Banpará), entre 1983 e 1987. Em três ofícios enviados ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, desmontou conclusão de relatório de sindicância, feito por técnicos do órgão em 1992. A primeira análise não apontou diretamente o senador como beneficiário dos desvios de recursos."Há elementos para indiciar o senador Jader Barbalho", disse Geraldo Brindeiro. "As informações repassadas pelo Banco Central permitem que eu possa requisitar um inquérito criminal." Até a próxima semana, Brindeiro pretende entrar com pedido de abertura de inquérito contra o parlamentar paraense no Supremo Tribunal Federal (STF), foro responsável por processos envolvendo deputados e senadores.A declaração de Brindeiro é a mesma feita, repetidas vezes, nos últimos dez dias, período em que chegaram os três ofícios do Banco Central. A novidade é a associação do discurso com o anúncio do teor dos documentos. Os ofícios reforçam nota de março, em que o órgão relaciona pessoa do círculo de amizade de Jader com um dos cheques rastreados. E põem em xeque o ex-presidente do Banco Central Francisco Gros e o então procurador-geral da instituição, José Coelho, que afirmaram não haver ligação do senador com o escândalo.Mesmo com os "elementos" do Banco Central, Brindeiro não está disposto a entrar direto com ação penal contra Jader no STF, uma etapa posterior ao inquérito criminal. "Não importa se ele (Jader) foi o principal beneficiário (dos desvios); se foi beneficiário, ele cometeu um crime."O pedido de abertura de inquérito será feito após conclusão da nota técnica feita pela 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio, do Ministério Público Federal. A 5ª Câmara vai propor ao Ministério Público do Pará ações de ressarcimento do dinheiro desviado do Banpará. Brindeiro sempre responsabilizou o Banco Central, pelo parecer de 1992, e a atuação do Ministério Público no Estado, pelos sucessivos arquivamentos do caso.Na terça-feira, a Justiça Federal de Brasília interpelou o Banco Central a responder, em dez dias, 15 perguntas elaboradas pelos advogados de Jader Barbalho. A defesa do senador apontava, por meio de indagações, conflitos nas análise feitas pelo banco desde o início das investigações sobre o caso Banpará, em 1990. As respostas acabaram sendo dadas via Geraldo Brindeiro.

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