BC nega omissão de ex-diretores no caso Banpará

Ex-diretores do Banco Central que estavam na instituição da época da apuração das irregularidades no Banpará não têm qualquer responsabilidade pelo fato de o caso não ter sido investigado antes. Na avaliação da instituição, todas as providências que o BC deveria tomar, desde que detectou as irregularidades em 1990, foram adotadas. "O Banco Central cumpriu com as suas obrigações de acordo com a lei e princípios éticos que norteiam a sua ação", afirma a nota do banco que foi divulgada no último dia 18, e que continua sendo considerada como a posição oficial da instituição. O atual presidente do BNDES, Francisco Gros, era o titular do BC na época em que a instituição fez as primeiras comunicações sobre o caso ao Ministério Público do Pará. Em paralelo, também foram enviados comunicados à Receita Federal, em Belém, e ao presidente do Conselho de Administração do Banpará. Segundo uma fonte que trabalhava na área de fiscalização na época, desde então sabia-se do envolvimento do senador Jader Barbalho no caso. E, na época da CPI dos Bancos, causou indignação a funcionários do BC o fato do senador ser um dos integrantes da comissão. "Era acintoso ver Jader na CPI", afirmou um ex-dirigente do BC. De acordo com a nota do banco, a primeira comunicação ao Ministério Público do Pará foi feita depois do primeiro relatório do auditor Abrahão Patruni Júnior. No documento, Patruni recomendou uma inspeção no banco Itaú, no Rio de Janeiro, instituição onde foi detectada a aplicação dos recursos do Banpará que teriam beneficiado o senador e alguns de seus familiares. Com a conclusão desta inspeção, que foi chamada de diligência pelo BC, Gros assinou novos comunicados ao Ministério Público do Pará. As comunicações, segundo a nota, "visaram informar a ocorrência de indícios de crimes para que os órgãos destinatários pudessem, nas suas respectivas áreas de atuação, adotar as providências aplicáveis em cada caso, inclusive mediante investigações complementares que se mostravam necessárias e que estavam além das atribuições legais do Banco Central". No BC, destaca o documento, foi instaurado um processo administrativo e aplicadas penas de inabilitação de dez anos a dirigentes do Banpará.

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