BC não envia documentos pedidos pela PF

A Polícia Federal enviou ofício na quinta-feira ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, solicitando o envio de documentos sobre as liquidações extrajudiciais de seis instituições financeiras.Segundo o delegado Deuler Rocha, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie), há indícios de irregularidades nessas operações, com participação de diretores do BC. A denúncia foi feita no ano passado e, em novembro, os documentos relativos às liquidações foram solicitados a Armínio Fraga. Como não foram enviados, o delegado resolveu mandar um novo ofício.Caso não haja resposta dentro de 30 dias, a polícia poderá recorrer a medidas judiciais. O BC, porém, disse no final da tarde desta sexta-feira que a Procuradoria-Geral da instituição não recebeu nenhum ofício da Polícia Federal do Rio sobre o assunto.A diretora de fiscalização do BC, Tereza Grossi, não respondeu ao pedido de entrevista da Agência Estado sobre o assunto. Grossi é uma das pessoas do BC sob suspeita de envolvimento em irregularidades nas liquidações de Banerj, Banco Vetor, Astra Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, Bamerindus, Nacional e Banco Open.Os outros funcionários do BC ou liquidantes indicados pelo BC sob suspeita são o ex-diretor de Fiscalização Cláudio Mauch, Sérgio Prates, Sidney Ferreira, Celso Possas e Jorge Miguel.As acusações são, entre outras, de corrupção passiva, prevaricação e formação de quadrilha. "Nesses casos, geralmente não se comete um crime só. Ao que tudo indica, trata-se de um crime de diretoria, não de funcionários de balcão", afirmou o delegado.Segundo Deuler Rocha, já estão em poder da polícia alguns documentos que indicam a existência de irregularidades em todos os casos e há necessidade de uma perícia contábil nos processos de liquidação que estão no Banco Central. A denúncia foi feita em março do ano passado por uma pessoa que enviou correspondência à Polícia Federal e identificou-se como Mauro Pinheiro Guimarães. Na época, ele forneceu endereço e CPF falsos.O delegado informou, porém, que o fato de a acusação ter se tornado anônima não interfere na investigação policial, já que todos os documentos enviados pelo denunciante indicam que pode ter havido favorecimento a credores das instituições liquidadas e aos próprios bancos. "O fato de o Banco Central ter aberto ações de natureza disciplinar, como inquéritos administrativos, também não impede o inquérito policial", disse o delegado.Entre as medidas judiciais que podem ser adotadas, está o pedido de quebra do sigilo bancário dos suspeitos. "As irregularidades são aparentemente graves e envolvem, em todos os casos, o mesmo grupo de pessoas", afirmou.

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