Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

BBB da CPI: Áudio vazado, Terra plana e micro-ondas para 'matar o vírus'

Depoimento da médica Luana Araújo, dispensada pelo Ministério da Saúde com apenas dez dias de trabalho, tem efeito didático sobre eficácia da cloroquina

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 17h53

Para quem acompanha a CPI da Covid, o capítulo desta quarta-feira, 2, fugiu de um enredo repetido quase que diariamente ao longo dos últimos 15 meses. A médica Luana Araújo combateu o negacionismo por mais de cinco horas da forma mais didática possível, com direito a exemplos dignos de uma sala de aula e frases de efeito que caíram nas graças da internet.

Logo na primeira meia hora, a infectologista dispensada do Ministério da Saúde após apenas dez dias de trabalho reforçou uma declaração sua do ano passado ao reafirmar que o Brasil está na "vanguarda da estupidez mundial".  E o motivo? O insistente debate sobre o tratamenro precoce e o uso de medicamentos como cloroquina e invermectina. O posicionamento contrário da médica a essa tese - que, segundo Luna, "não tem cabimento" ou "qualquer lógica" - levantou torcidas nas redes.

 

 

 


Depois do micro-ondas, teve ainda 'Terra plana' na CPI:

 


E também áudio vazado do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). Sem perceber que falava com o microfone ligado, Aziz reclamou da postura do colega governista Marcos do Val (Podemos-ES) e atacou: "Depois de tudo que ela (a médica Luana Araújo) disse, vem esse cara falar merda". O parlamentar não ouviu, mas minitos depois o trecho era comparilhado nos perfis que acompanham a CPI. O Estadão mostra o momento:

Mas a sessão desta quarta teve momentos mais leves, dentro e fora da sala que comporta a CPI. Acompanhada do pai, o médico ortopedista e advogado José Carlos Araújo, Luana recebeu carinho e apoio durante a sessão. E ainda ouviu elogios dos senadores sobre o suporte familiar dado a ela.

Quem também recebeu apoio, mas fora da CPI, foi a médica Nise Yamagachi. Ouvida nesta terça pelos senadores, a oncologista foi questionada sobre seus conhecimentos a respeito do novo coronavírus e uma pergunta feita por Otto Alencar (PSD-BA) - sobre a distinção entre vírus e protozoário - fez até o presidente Jair Bolsonaro considerar a comissão um "tribunal de exceção". Justo ele.

O deputado bolsonarista Marco Feliciano (Republicanos-SP) foi na mesma linha e até lançou uma nova hastag para a CPI:

A "doutora cloroquina", como Nise também é chamada, ainda ganhou um fã-clube nas redes e com direito a muito humor e ironia.

 


De acordo com análise da Bites Consultoria, os governistas passaram o dia investindo na narrativa de que a médica defensora da hidroxicloroquina foi vítima da grosseria de senadores, em especial de Otto Alencar e Omar Aziz. E se saíram bem. O presidente da CPI virou alvo da rede bolsonarista, com #OmarVistaGrossa (5,5 mil tweets) e #OmarAzizVagabundo (21,6 mil tweets). Também se destacaram as hashtags em defesa da médica, como #SomosTodosDraNise (48,6 mil) e #somosTodosNiseYamaguchi (10,8 mil). 

 

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