BB patrocinou com R$ 50 mil curso do MST

Aulas ocorreram na semana passada, quando os sem-terra lembraram o massacre no Pará

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2008 | 00h00

O Banco do Brasil (BB) patrocinou com R$ 50 mil um curso de formação e capacitação de famílias acampadas e assentadas e de suas lideranças, entre os dias 14 e 17 deste mês, em Brasília. O evento, no Estádio Mané Garrincha, aconteceu na semana em que o Movimento dos Sem-Terra (MST) promoveu intensas manifestações pelo País para lembrar os 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás (PA), quando 19 trabalhadores rurais foram mortos por policiais militares.O BB explicou que financia R$ 12 bilhões em recursos para a agricultura familiar - dentro dos programas do Pronaf - e, por isso, é de seu interesse ajudar na capacitação e formação dos pequenos agricultores. Embora o próprio banco tenha comentado a iniciativa, funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) negaram que ela tenha ocorrido. "Foi um curso de formação. Os professores e expositores não cobraram nada", disse Jussara Martins, da Associação dos Servidores do Incra. "Não tem órgão público nenhum financiando esse ato", garantiu.LOGOTIPOSegundo Jussara, a alimentação e a hospedagem dos trabalhadores rurais foram custeadas pelo Fórum Nacional da Reforma Agrária, que congrega cerca de 20 entidades do setor e coordenou o curso.A assessoria do Banco do Brasil, no entanto, informou que a contrapartida ao patrocínio de R$ 50 mil foi a impressão da logomarca da instituição em todo o material do curso, como cartazes e banners, além de anúncio em jornal. A Fundação Lyndolpho Silva, que tem como instituidores a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foi a organizadora do evento. Seu diretor-presidente, Alberto Broch, que é da Contag, afirmou não ter informações sobre os patrocinadores do curso.

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