Battisti dirá em carta ao STF que não matou

No texto, de próprio punho, extremista alegará que sua maior preocupação era não ferir vítimas do PAC

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

O italiano Cesare Battisti está escrevendo uma carta endereçada aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual garante que, apesar de ter usado armas nos anos 70, nunca matou ninguém. Condenado à prisão perpétua na Itália, acusado de quatro homicídios, Battisti dirá na carta de próprio punho - marcada pelo tom emocional - que sua maior preocupação, nas ações do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), era montar uma estratégia para não ferir as vítimas.O governo italiano sustenta que Battisti é terrorista e, inconformado com a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro - que concedeu refúgio político no Brasil ao ex-militante do PAC -, quer que o Supremo modifique o veredicto. A Itália pede a extradição de Battisti, alegando que ele precisa pagar pelos crimes cometidos. O caso provocou uma crise diplomática entre os dois países.A tendência do STF é de reformar a decisão de Tarso, sob o argumento de que a lei do refúgio proíbe a concessão do asilo a terroristas. Em seu parecer, porém, o ministro destaca que Battisti apresentou "fundado temor" de perseguição política, necessário para o reconhecimento da condição de refugiado.APOIOSA carta de Battisti será distribuída aos integrantes do STF na quinta-feira por seu advogado, Luiz Eduardo Greenhalgh. Numa tática combinada, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) lerá o texto no mesmo dia, no plenário do Senado.Apoiado por vários intelectuais de esquerda, como a escritora francesa Fred Vargas e o filósofo Bernard-Henri Lévy, Battisti afirmará na mensagem que nunca um juiz ou autoridade policial perguntou a ele se tinha matado alguém. O ex-militante do PAC também vai assegurar que a execução de inocentes - em ações do movimento - foi o principal motivo de suas divergências com Pietro Mutti, um dos chefes do grupo. Foi Mutti que entregou Battisti, sendo beneficiado pela delação premiada.Em janeiro, o extremista já havia escrito uma carta, que distribuiu aos jornalistas, jurando inocência. Na época, disse que seu delator, "extremamente torturado", teria pedido o benefício da lei dos arrependidos. Na correspondência que enviará ao STF, Battisti também lamentará as dores que as mortes causaram em seu país - da mesma forma que fez no mês passado -, mas garantirá, mais uma vez, que nunca se envolveu em execuções.

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