Battisti depõe no Rio sobre falsificação de passaporte

Ex-ativista é acusado de falsificar passaporte francês para entrar ilegalmente no Brasil

Marcelo Auller, da Agência Estado,

10 de dezembro de 2009 | 13h21

Battisti chegou algemado para depor no Fórum Federal Marilena Soares Reis Franco, no Rio

 

RIO - O ex-ativista político Cesare Battisti chegou algemado, por volta de meio-dia desta quinta-feira, 10, no Fórum Federal Marilena Soares Reis Franco, no Rio de Janeiro, onde será interrogado pelo juiz da 2ª Vara Federal, Rodolfo Kronemberg Hartmann, no processo em que ele é acusado de falsificar seu passaporte francês. Além de Battisti, o juiz ouvirá duas testemunhas de defesa: os delegados federais Fábio Galvão e Oswaldo da Cruz Ferreira, que efetuaram a prisão do italiano em 2007.

O advogado de defesa, Luiz Eduardo Greenhalgh, afirmou que a acusação é indevida porque não foi Battisti quem preparou o documento, "que ele sequer tocava ao ser preso". De acordo com ele, o passaporte foi entregue ao italiano por autoridades francesas antes de Battisti deixar o país europeu, depois que François Mitterrand perdeu as eleições para Jacques Chirac. O documento teria sido usado uma única vez no ingresso dele no Brasil, em Fortaleza, sem que o ex-ativista soubesse que se tratava de um passaporte falso.

Ex-integrante do movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), Battisti começou a participar de movimentos estudantis em 1968 e se engajou na extrema esquerda. O militante foi preso em 1979 acusado do assassinato de Antonio Santoro, agente de custódia morto em junho de 1978, dos comerciantes Pierluigi Torregiani e Lino Sabbadin, ambos mortos em fevereiro de 1979, e do policial Andrea Campagna, que morreu em abril de 1979. Em 1981, Battisti fugiu da Itália e passou pela França e pelo México. Em 2004, ele chegou ao Brasil. Foi preso pela Polícia Federal (PF) três anos depois, no Rio.

Em novembro de 2009, após muita polêmica e três sessões, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que Battisti pode ser extraditado para a Itália. No entanto, a Corte deixou a prerrogativa de entregá-lo ou não ao seu país de origem sob decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo já indicou que não tem pressa.

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