Bate-boca no STF é como no futebol, minimiza Lula

Durante viagem à Argentina, presidente evita polemizar sobre assunto

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o entrevero ocorrido entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa poderia ser comparado a uma briga em jogo de futebol. De acordo com Lula, o bate-boca entre os dois magistrados "está longe de ser uma crise institucional". "Dois homens divergiram e não se entenderam. Se fosse por esse tipo de coisas (bate-boca), não existiria futebol, porque tem briga em campo de futebol todo santo dia", disse o presidente, na Casa Rosada, sede do governo da Argentina. Lula esteve na capital do país para se reunir com a presidente Cristina Kirchner, com a qual conversou sobre problemas comerciais e a crise econômica internacional.Diante do olhar perplexo de Cristina, que ouvia a tradução da pergunta sobre o quiproquó no STF e a declaração de Lula, o presidente explicou à colega e aos jornalistas portenhos: "A Cristina nem deve estar sabendo, mas ontem houve uma troca de acusações verbais entre o presidente da Suprema Corte do Brasil e outro membro. Eles se desentenderam porque trocaram palavras duras um com o outro." Lula ponderou, ainda, que a batalha verbal pode ter um lado benéfico para o País: "Esse tipo de briga ajuda a sociedade e a democracia, tudo bem."A presidente argentina chegou a pensar que os jornalistas brasileiros também lhe estavam perguntando sobre as trocas de acusações no STF. Diplomaticamente, preferiu não comentar o bate-boca do Supremo: "Não é adequado dar opiniões sobre assuntos internos de outros países." DESAVENÇASEm Porto Alegre, após participar da primeira de uma série de apresentações estaduais do andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o ministro da Justiça, Tarso Genro, também comentou o bate-boca entre Mendes e Barbosa. Disse que foi uma desavença interna momentânea. "Os dois são pessoas ilustres, com um enorme sentido de responsabilidade pública", frisou ele.Tarso afirmou ainda ter certeza "de que vai haver um diálogo e isso será superado". Ponderou que o papel do Supremo, desde a Constituição de 1988, é de alta relevância e não pode ser desgastado por incidentes dessa natureza. "Na minha opinião, são pequenos perante o grande serviço que o STF presta ao País."Para o titular da Justiça, não é necessária qualquer mediação do governo no incidente. "São duas pessoas maduras, responsáveis, que prestam grandes serviços ao País e tenho certeza de que isso não vai alterar a qualidade do Supremo e o alto nível de seus debates e decisões", concluiu o ministro.

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