Bate-boca marca tentativa de defesa de Renan no Senado

Presidente do Senado fala de negócios de Agripino e líder do DEM exige que Renan prove acusações

07 de agosto de 2007 | 17h32

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou mais uma vez se defender no Senado nesta terça-feira, 7, e bateu boca com o líder do DEM no Senado, José Agripino (DEM). Agripino pediu que Renan deixasse a presidência da Casa e reiterou que o partido articula um processo de obstrução a votações em sessões presididas pelo senador.  Veja também:  Especial sobre o caso Renan Calheiros  Virgílio diz que afastamento de Renan seria presente à Nação STF determina quebra dos sigilos fiscal e bancário de RenanDEM decide representar contra Renan no Conselho de Ética STF instaura inquérito para investigar Renan Calheiros Renan acusa 'Veja' de fazer 'denúncia falsa' e venda 'nebulosa'  Em resposta, Renan citou "concessões e financiamentos estatais" que Agripino teria: "Se sofresse a pressão que sofro por duas semanas, não agüentaria. O líder do DEM interrompeu o presidente do Senado cobrando esclarecimentos sobre as acusações: "Débitos? Que débitos? Vossa Excelência tem obrigação de dizer". Renan respondeu: "O que falei é que estou submetido a devassa e que poucos teriam a condição de abrir declaração de renda como fiz. Mas que se Vossa Excelência estivesse na minha situação não o prejulgaria". Agripino pediu novamente explicações: "Meus negócios são todos legítimos. Se tem alguma acusação contra mim, deixe claro". "Nada tenho a temer, nada tenho a esconder", disse o senador em sua defesa. E não poupou acusações à revista Veja. No início de seu discurso, afirmou que há dois meses vem sendo vítima de um "impiedoso ataque que já se transformou em campanha". O senador disse que não renuncia à presidência, que vive um calvário e é agredido "diariamente" em uma briga política paroquial.  Como exemplo, Renan citou a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e João Lyra (PTB).  Imaginem o futuro desse Congresso se cada derrotado político transformar sua derrota em pseudo-acusação", questionou. "Não esperem que eu seja sócio passivo de um rito sumário", afirmou Renan no discurso, afirmando que usará todos os direitos que a democracia lhe confere e que não abdicará do direito de defesa das acusações que vem recebendo.  Renan responde a processo por quebra de decoro sob a acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista. A abertura de inquérito sobre o caso foi autorizada pelo STF na última segunda-feira com base no pedido do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza. Nomesmo dia, Lewandovski foi designado relator da investigação no Supremo.  O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) juntou-se a Agripino ao pedir a saída temporária de Renan. "Você daria um belo gesto de presente à nação se prosseguisse no seu direito legítimo de fazer sua defesa como senador, provisoriamente, substituído por direito, num processo que, se Deus quiser, haverá de correr celeremente." Renan disse ainda ter devassado suas declarações de renda, contábeis, bancárias e fiscais "como poucos fazem ou fizeram". "Não tenho nada a temer ou esconder. Não tenho patrimônios clandestinos. Me acusaram de retificar meu imposto de renda e o desmentido foi modesto, sem o espaço nobre que só é usado para desmoralizar, para ofender", acusou.  O presidente do Senado voltou a afirmar ter sido o responsável pelo pedido ao Ministério Público para investigar todas as denúncias contra ele, "sem exceção", e comemorou o inquérito aberto pelo STF na segunda-feira. "Só posso comemorar pois teremos investigação isenta e democrática, com competência para quebrar sigilos e abrir contas", disse Renan, acrescentando que "agora é a hora de abrirmos os sigilos dos nomes citados nessas denúncias mentirosas citadas pela revista Veja."  Da defesa para o ataque Renan disse que a representação do PSOL contra ele por suposto beneficiamento à cervejaria Schincariol é "baseada em recortes de jornal" e "tenta criar a figura de quebra de decoro familiar".  "Eu não misturo o público com o privado", rebateu Renan. "Um turbilhão de mentiras, perversidades e pseudo acusações que só a certeza da inocência pode aguentar. Minha força é proporcional à verdade que carrego comigo", afirmou.  Renan também voltou a acusar a revista Veja e questionou o jornalismo praticado pela publicação, "de acusar sem provas".  "Onde estão as provas dos dólares de Cuba em caixas de uísque, onde estão as provas de envolvimento das Farc com o MST, onde está a prova de que o presidente Lula seria o sujeito oculto de organizações criminosas?", perguntou o senador, referindo-se a temas de capa da revista.  "Quem acusa tem o ônus da prova. Não é possível confundir liberdade com libertinagem. Aqueles que querem enxovalhar a minha honra haverão de pagar na Justiça", disse. O presidente do Senado afirmou que está enviando ao Ministério Público Federal parecer do conselheiro Plínio de Aguiar, da Anatel, sobre a venda da TVA (a cabo) pela editora Abril à Telefônica. O parecer aponta supostas ilegalidades no acordo de acionistas. A Anatel aprovou a operação de venda, mas exigiu que seja alterado o acordo de acionistas.  "A transação é uma fraude e fere o interesse nacional. Segundo o conselheiro, fere a lei de TV a cabo, que não estaria sendo observada, uma vez que seu objetivo é assegurar que as decisões em concessionárias de TV a cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros", disse Renan. "Isso sim deveria despertar o pendor investigativo do Senado, da mídia; isso sim é um escândalo, isso sim é vender concessões a estrangeiros prejudicando o interesse nacional."  'Má vontade' Quem saiu em defesa de Renan foi o senador Almeida Lima (PMDB-SE), um dos relatores do processo contra o senador no Conselho de Ética. Lima condenou a revista Veja e disse que outros veículos de comunicação têm demonstrado "má vontade" com Renan. Segundo o relator, o pedido do presidente do Senado para ser investigado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando, não ganhou destaque devido na mídia. "Vossa Excelência deu uma demonstração de que nada tinha a esconder", afirmou.  Sobra a nova denúncia de que Renan teria usado "laranjas" para comprar emissoras de rádio, Lima disse que leu a reportagem e as acusações são "vazias": "Eu quero concluir, dizendo que, essa não é uma denúncia grave. A grave é aquela que vem embasada em provas, essa é vazia, pois apresenta em sentido contrário". A senadora petista Ideli Salvatti, que chegou a defender Renan anteriormente, disse que sobre o caso não pode pairar dúvidas e que "as investigações têm que acontecer até as últimas conseqüências , sejam os resultados quais forem". Ideli, no entanto, ponderou sobre a saída de Renan do cargo: "É claro que é legítimo ao Agripino e Virgílio pedir que você se afaste da presidência, agora, o afastamento ou não, é único e exclusivo do seu desejo". Ideli comparou o processo de Renan ao de Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, no caso Mônica Lewinski. "A legislação americana não obriga a sair do cargo. Ele ficou no cargo todo o caso e foi absolvido no final", afirmou. O senador Jose Nery (PSOL-PA) disse que a suspeita de Renan ter despesas pessoais pagas por um lobista trata-se de um "fato grave". Disse que o processo no conselho é uma investigação e não "condenação antecipada".  (Com Reuters) 

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