Bastidores: ‘Todo dia a gente abre o jornal e tem crise no ministério’, diz Dilma

Presidente pediu afastamento imediato de Sadok após ler a reportagem do 'Estado'

Tânia Monteiro e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 23h00

Passava um pouco das 8 horas quando a presidente Dilma Rousseff telefonou para o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos - nomeado para o cargo há apenas seis dias - e foi direto ao assunto.

 

"Paulo Sérgio, você tem de fazer uma ‘limpa’ nesse ministério e no Dnit", disse Dilma, numa referência ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

 

"Todo dia a gente abre o jornal e tem uma crise nesse ministério. Não tem cabimento isso!", esbravejou Dilma, na conversa com Passos. "Eu não quero mais saber de denúncia contra A, B ou C. Tem de tirar todo mundo de lá!"

 

A presidente estava muito irritada com o novo capítulo das denúncias, desta vez envolvendo o diretor executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá. Sem esconder a impaciência com o prolongamento da crise, Dilma mandou Passos afastar imediatamente Sadok após ler a reportagem publicada pelo Estado.

 

Dilma também ordenou o afastamento de Frederico Augusto de Oliveira Dias. Filiado ao PR, ele tinha sala própria no Dnit, participava de reuniões com prefeitos e governadores, mas, segundo Luiz Antonio Pagot - o diretor-geral do Dnit que também está na "geladeira", de férias -, era apenas um boy.

 

À tarde, a presidente recebeu o ministro no Planalto e reiterou a ordem para a faxina. Disse que, de agora em diante, não terá dúvida em afastar de imediato um subordinado, para submetê-lo ao rol de investigações, sempre que existir suspeita contra ele.

 

Para a presidente, a prática servirá como "sinal de alerta" a toda a Esplanada.

 

Embora parlamentares aliados e até ministros defendam a volta de Pagot após o fim das férias, em 4 de agosto, Dilma reiterou na sexta-feira, 15, em conversas reservadas, que ele não tem condições políticas para ficar no Dnit.

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