Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

BASTIDORES: Planalto vive dia de apreensão e suspense na véspera do julgamento no TSE

Presidente Michel Temer torce para que ministros votem com argumentos técnicos em votação que pode levar à cassação do peemedebista

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 18h18

BRASÍLIA - Apesar de tentar dar demonstração de normalidade, com cumprimento de agendas de trabalho, como anúncio de medidas em comemoração do Dia do Meio Ambiente e do Plano Nacional de Segurança Pública, o Palácio do Planalto vive um dia de apreensão e suspense nesta segunda-feira, 5.

Depois de passar o fim de semana em reuniões com advogados, que incluiu duas idas a São Paulo em menos de 24 horas, o presidente Michel Temer torce pela solução favorável do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contando com que os ministros optem por uma votação com base em argumentos técnicos, deixando de lado a pressão política, que acredita estar sendo comandada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que poderia estar fazendo, "mesmo que de forma involuntária", uma dobradinha com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

O Planalto, que no passado chegou a considerar que poderia vencer o processo de forma apertada pelo placar de 4 a 3, agora tem uma única certeza: o voto contrário do relator do processo no TSE, ministro Herman Benjamin. O governo acredita que o vazamento de notícias de que novas gravações poderão ser divulgadas antes do início do julgamento, marcado para às 19 horas de terça-feira, 6, é uma forma de criar um clima contra o presidente Temer.

Mas considerou positivo o fato de ter sido adiada para quarta-feira, 7, a transferência do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures da Polícia Federal para a Papuda e consequente depoimento dele. Com isso, acredita o governo, evita-se um fato novo. Neste momento, na avaliação dos interlocutores do presidente, qualquer coisa fato desfavorável poderá ser fatal para Temer no TSE.

Mesmo com os recados que tem sido repassados de que Loures não fará delação premiada, há um temor sobre o que ele possa falar, não só nessa circunstância, como também no depoimento. O Planalto não contava que Loures fosse preso, já que ele entregou seu passaporte e estava em casa.

O governo entende que essa foi mais uma manobra de Janot que passou a confrontar diretamente o presidente. Por isso mesmo, o governo acha que toda essa crise provocada por Janot tem data marcada, que é setembro, quando ele será substituído e o perfil a ser buscado será exatamente contrário ao dele.

Na outra ponta de preocupação do Planalto permanece o PSDB. O governo respirou aliviado com o adiamento da reunião do partido desta segunda-feira de São Paulo, mas sabe que, se a decisão do TSE for desfavorável, o desembarque dos tucanos poderá ocorrer e isso poderá arrastar os demais partidos da base aliada, provocando uma debandada. Isso prejudicaria qualquer tentativa de retomada de votação e até mesmo um possível pedido de licença à Câmara para poder processá-lo. Portanto, um dos impasses é até quando o PSDB aguenta e continua sendo o fiel da balança.

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