Bastidores: Palocci, presença incômoda, empana o clima de festa

Participação de ministro-chefe da Casa Civil no lançamento do programa Brasil Sem Miséria foi protocolar

Luiz Alberto Weber, de O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2011 | 23h00

Menos constrangimento causaria o convidado a uma cerimônia de casamento que levantasse a mão diante da pergunta do padre se haveria ali alguém contra a celebração do matrimônio. O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, foi nesta quinta-feira, 2, a imagem de um penetra dentro do governo que o abriga. E empanou, com sua presença, a festa do lançamento da principal bandeira do governo Dilma, o Brasil sem Miséria.

 

Esculpido para ser a marca da política social da gestão da petista, o programa travestiu-se - à revelia do Planalto - em antídoto contra a crise provocada pela revelação da fortuna não explicada de Palocci. O chefe da Casa Civil, embora sentado e sem ter sido escalado para discursar, parecia desfilar com a mão levantada pelos salões do Planalto.

 

Na política brasiliense, o simbolismo conta. Cada imagem é calculada para produzir efeitos. O enorme painel com a palavra "pobreza" pretendia mostrar um governo em ação. A imagem, no entanto, pousou sobre a cabeça de um sorridente Palocci. E foi captada pelos fotógrafos como síntese da reunião.

 

Antes da posse, Dilma começou a engendrar seu plano de combate à pobreza, algo híbrido, que fosse ao mesmo tempo tributário do Bolsa Família, mas que conduzisse sua marca pessoal.

 

A presença do ministro foi protocolar. Evitado pelo vice-presidente Michel Temer, liderança peemedebista com poder de desestabilizar a situação do petista no Congresso, Palocci foi mencionado por Dilma uma única vez, na apresentação dos presentes: enfim, um convidado incômodo.

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