BASTIDORES: Os dilemas de Lula em virar ministro de Dilma

Ex-presidente avalia que papel terá no governo Dilma e efeitos de aceitar um cargo em sua imagem

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 11h07

Brasília – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanheceu nesta quarta-feira, 16, em Brasília, depois da reunião de quatro horas e meia com a presidente Dilma Rousseff e outros ministros na noite anterior, ainda reticente em assumir um cargo no Planalto. Integrantes do governo, por sua vez, mantêm a intenção de convencê-lo a voltar em definitivo para a capital federal.

“Lula está em uma dúvida atroz. Ele está com muitas dúvidas sérias”, reconhecem interlocutores do ex-presidente. Lula sinalizou que a sua preferência era ir para um cargo “sem foro privilegiado”, para não ser acusado de estar “fugindo” do juiz federal de Curitiba Sérgio Moro. O ex-presidente também quer ter certeza de que vai, de fato, contribuir para uma “virada” do governo, e não apenas ser uma solução passageira.

Como o apelo de Dilma tem sido “dramático”, sob a alegação de que a presença dele no Planalto seria uma espécie de “bala de prata”, Lula pesa os prós e contras dessa decisão. A essa altura, a rejeição do ex-presidente ao convite de Dilma passaria a mensagem de que “nem ele acredita mais no governo”. Seria, na definição de assessores, o sinal de que “acabou tudo”.

Lula disse estar se sentindo “muito pressionado” e, por isso, a conversa da manhã desta quarta-feira deve ser novamente muito longa. Na pauta está a definição de pontos objetivos para a atuação do ex-presidente no governo. Se Dilma disser, por exemplo, que Lula não pode mexer na política econômica, que vai continuar tudo como está, o petista não encararia a missão, segundo assegurou um interlocutor do ex-presidente. Por isso a presença do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, na reunião de hoje, no Palácio da Alvorada.

Além de Dilma, Lula e Barbosa, estão presentes os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, e da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. A previsão era de que o presidente do PT, Rui Falcão, também estivesse presente ao encontro.

O ministro Aloizio Mercadante, da Educação, protagonista do último problema enfrentado por Dilma por causa da delação premiada do senador Delcidio Amaral, chegou cedo ao Alvorada, mas não está na mesma reunião de Dilma e Lula.

Lula também estava analisando a questão jurídica de sua ida para o governo e as conveniências. Ele tem consciência de que, entre a população, vai ficar a impressão de que ele quer fugir de Moro. Mas o ex-presidente espera que isso não tenha influência sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal, Corte em que passaria a tramitar a investigação relacionada ao petista.

O ex-presidente queria ter conversado ontem ainda com integrantes do PMDB, mas isso ficou para depois, por causa do horário em que acabou a reunião de ontem. Após Lula tomar a decisão sobre o ministério, ele certamente vai conversar com parlamentares e com empresários.

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