Bastidores: Os alertas da saída 'iluminada' e da falha no diálogo

Quando retornar ao Brasil, na próxima semana, a presidente Dilma Rousseff terá de administrar um cardápio de insatisfações dos aliados. O sentimento geral no Planalto é de que boa parte dos problemas só será resolvida com a negociação de cargos e o anúncio dos ministros do segundo mandato.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2014 | 02h02

A saída de Marta Suplicy do Ministério da Cultura, porém, deixa uma fratura exposta no PT e um fio desencapado no governo - não pela demissão em si, já esperada, mas pelo tom duro da carta de despedida, com críticas até a política econômica. Embora Dilma, no exterior, tenha dado um ar de naturalidade à saia-justa, o fato é que a forma como Marta entregou o cargo causou irritação.

Desafeto da ex-prefeita, o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) dizia ironicamente que a colega estava "iluminada" quando escreveu o texto. O termo foi usado por Marta para transmitir a Dilma o desejo pela escalação de uma equipe econômica "independente, experiente e comprovada", para resgatar "confiança e credibilidade" ao governo.

Para dirigentes do PT, a Marta que volta ao Senado foi tomada pelo mesmo "sincericídio" de Gilberto Carvalho. O ministro da Secretaria-Geral chegou a dizer, no dia 26, que a eleição de Dilma foi um "milagre", diante da onda anti-PT. Depois, admitiu que a presidente deixou a desejar no diálogo com a sociedade. Tanto Marta quando Carvalho expressam o que o ex-presidente Lula tem dito a portas fechadas. Mas, embora critique a política econômica, não foi Lula quem ajudou Marta a redigir sua carta de demissão. A dúvida é: quem foi?

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