Bastidores: Ofensa à presidente teve efeito positivo, avaliam petistas

Pesquisas qualitativas coordenadas pelo publicitário João Santana mostram que os xingamentos à presidente Dilma Rousseff no jogo de abertura da Copa do Mundo, na quinta-feira, em São Paulo, acabaram por ter um efeito positivo para a imagem da presidente.

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2014 | 02h04

Segundo fontes do PT, as sondagens feitas por Santana apontam que a percepção dos eleitores em relação a Dilma tem mudado progressivamente, desde o jogo do Brasil contra a Croácia, de "culpada por tudo de ruim que existe no País" para vítima de má educação da "elite endinheirada". "As pesquisas mostram que Dilma foi vitimizada. Estamos acompanhando a evolução dia a dia", afirmou um dirigente do partido.

Para os petistas mais otimistas, as hostilidades sofridas pela presidente na Arena Corinthians podem ser a boia de salvação de Dilma em meio à "tempestade perfeita" pretendida pelos candidatos da oposição.

Até a semana passada a cúpula da pré-campanha de Dilma não sabia lidar com os índices cada vez mais altos de rejeição à presidente, principalmente nos Estados do Sul e Sudeste. As pesquisas mostravam que a insatisfação com Dilma era "difusa", em grande parte sem razões objetivas. Muitas vezes a presidente era apontada como culpada por problemas que são responsabilidade de outras esferas de poder, como por exemplo o policiamento urbano, que é atribuição dos governos estaduais.

O mau humor do eleitorado em relação a Dilma era motivo de preocupação maior, entre os coordenadores de sua campanha, do que o desempenho da economia.

Várias fórmulas foram testadas para reverter a situação, mas os efeitos foram mínimos. A aposta agora é o discurso da "esperança" contra o "ódio", formulado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o lançamento da candidatura de Alexandre Padilha ao governo paulista, domingo.

Segundo Sérgio Amadeo, especialista em análise de redes sociais, a mudança de humor em relação à presidente, na internet, já é perceptível. "A vaia passou do ponto. Tenho visto gente que criticava Dilma e agora está falando mal de quem xingou a presidente", disse ele.

Para um integrante da coordenação da campanha de Dilma, o embate verborrágico é um "problemão" para a oposição, que passa a ser vista como porta-voz da "elite branca". "A oposição está refém desse discurso de 'classe'. Vira a campanha de quem tem o que mostrar (Dilma e o PT) contra quem tem o que esconder (adversários)", disse um colaborador da presidente.

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