Bastidores: O real temor é a revelação sobre ‘negócios’

Preocupação está voltada para negociações envolvendo regimes militares e cooperação da diplomacia com a repressão política

Rui Nogueira, de O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 22h50

BRASÍLIA - No atual governo e nos passados, os assessores que estiveram ou estão no Palácio do Planalto têm uma visão unânime: os temores reais e as verdadeiras pressões para manter documentos sob o manto do sigilo eterno estão mesmo no Itamaraty. E não é por conta de informações novas que podem vir à tona sobre a Guerra do Paraguai, mais de 140 anos depois.

 

Brasil e Paraguai estão crescidinhos o bastante para encarar revelações centenárias à luz dos processos democráticos atuais. No máximo, pode haver rusgas, mas sem que isso se transforme em crise diplomática.

 

O problema, dizem assessores, são, por exemplo, os "negócios" que transpiram corrupção e foram feitos dentro de acertos diplomáticos.

 

O temor está, por exemplo, nos relatórios sigilosos sobre as negociações envolvendo os regimes militares do Brasil e do Paraguai para a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, num tempo de muita propina e nenhuma transparência.

 

Em um processo de anotação à margem das negociações oficiais, há relatos nos acervos militares e diplomáticos sobre grandes negociatas.

 

Outro grande negócio que mete medo envolve o programa nuclear e o sigiloso processo que terminou com a assinatura de um acordo entre os governos do Brasil e da Alemanha.

 

Há ainda, relacionado com o Ministério das Relações Exteriores, um temor relativo ao fato de que não vieram à tona todos os documentos sobre o relacionamento do regime militar (1964-1985) com a diplomacia da época.

 

Há nos arquivos bem mais do que a perseguição a um poeta, a este ou aquele brasileiro vigiado no exterior.

 

O temor é que, na América Latina, os militares tenham tido mais ajuda diplomática do que a conhecida em casos como o da Operação Condor.

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