Bastidores: Núcleo político criado na Casa Civil virou armadilha para Dilma

Na avaliação de Lula, falta alguém com perfil de 'gerente administrativo' para reagir a turbulências

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2011 | 23h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou, em conversas reservadas nos últimos dias, que a crise política envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, expõe a ausência de um alguém com perfil de "gerente administrativo" no Planalto para reagir à turbulência e mostrar que o governo continua trabalhando. Alguém ao estilo da própria presidente Dilma Rousseff. "Falta à Dilma uma própria Dilma", disse Lula, segundo relatos de interlocutores que estiveram com o petista.

 

Dilma foi ministra da Casa Civil no governo Lula, substituindo José Dirceu, que caiu no escândalo do mensalão em 2005. Nas conversas com aliados, Lula ressaltou que, agora, a Casa Civil adotou um perfil político com a entrada de Palocci. No governo Dilma, o ministro da Casa Civil perdeu atribuições administrativas, como o comando do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), licitações, auditorias sobre o uso de recursos federais, e o programa Minha Casa, Minha Vida.

 

O objetivo era livrar Palocci dessas tarefas para dedicar-se exclusivamente ao assessoramento político da Presidência. Agora, o bombardeio contra ele atinge justamente o centro político do governo, num contexto em que não há margem para a Casa Civil - no caso, o próprio Palocci - reagir com uma postura administrativa, como Dilma fez ao substituir Dirceu. Ou seja, no atual cenário, não haveria resposta que não fosse a política, a não ser que Dilma esteja disposta a repetir o comportamento dela própria no pós-mensalão. Lula deu o primeiro telefonema a Palocci no domingo da semana passada, no dia da revelação de que o ministro comprou um imóvel de R$ 6,6 milhões com dinheiro da sua empresa de consultoria, a Projeto. De lá para cá, conversa com o ministro diariamente.

 

 

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