Tarso Sarraf
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BASTIDORES: Maia quer guardar distância regulamentar de Temer

O novo capítulo da queda de braço entre o presidente da Câmara e o Palácio do Planalto aconteceu com a decisão de Rodrigo Maia não aceitar mais votar as Medidas Provisórias enviadas pelo governo

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2017 | 21h48

BRASÍLIA - O novo capítulo da queda de braço entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o Palácio do Planalto tem como pano de fundo as movimentações do deputado para guardar distância regulamentar do governo impopular de Michel Temer. Maia não esconde a irritação com as idas e vindas do Planalto e tenta exibir marca própria no comando da Câmara, às vésperas da votação da segunda denúncia contra Temer e na antessala de 2018.

Ao anunciar nesta terça-feira, 10, que não aceitará mais Medidas Provisórias do governo até que o Congresso analise a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que regulamenta a tramitação de matérias desse tipo, Maia deu mais um passo na direção do enfrentamento com o Planalto.

“O governo está fazendo tudo errado. Tem de parar de editar MPs e já falei isso com o Michel algumas vezes”, disse o presidente da Câmara ao Estadão. “Agora, tudo o que falo vocês dizem que é atrito com o governo. Não é isso. Estou insatisfeito com o fato de combinarem uma coisa e depois, na última hora, tirarem o pé.” 

Questionado se a relação entre o DEM e o PMDB de Temer estava pacificada, Maia respondeu: “Não, mas isso não é relevante agora.” No mês passado, o presidente da Câmara subiu o tom e acusou uma articulação do PMDB de Temer, com a participação dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), para “atropelar” o DEM. Usando termos fortes, como “facada nas costas”, Maia acusou o assédio do PMDB a parlamentares do PSB que estavam negociando a filiação a seu partido.

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Nas conversas que mantém com aliados e integrantes da oposição, nessa temporada, o deputado não se cansa de apontar a desorganização do Executivo para articular a base aliada. Nesta terça, por exemplo, ficou irritado com o “kit obstrução” apresentado por governistas para inviabilizar a votação da Medida Provisória que regulamenta os acordos de leniência do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Eu tomei hoje (terça-feira) café da manhã com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Se essa MP tinha relevância e urgência, precisava ir a voto. Agora não dá mais. Então, é uma falta de respeito o que fizeram. O próprio governo enfraquece o Banco Central e a CVM e isso terá impacto na imagem do Brasil”, insistiu Maia.

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Primeiro na linha de sucessão da Presidência da República, Maia demonstra contrariedade com rumores de que está interessado em ocupar a cadeira de Temer. Diz que, em 2018, será candidato à reeleição e a mais um mandato à frente da Câmara, e não ao governo do Rio ou ao Planalto.

Ao ser perguntado se Temer tem votos para aprovar o relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) – que recomenda à Câmara barrar a tramitação da denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente, Padilha e Moreira Franco --, ele desconversa. “A partir de agora, a responsabilidade é de cada um do governo”, disse Maia, nesta terça-feira. Mais uma vez, fez questão de demarcar território, distanciando-se do ônus de defender uma gestão impopular. “Eu sou presidente da Câmara. Tenho de ser neutro", encerrou.

 

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