BASTIDORES: Jogada para amarrar Doria na Prefeitura

Prefeito pode ser obrigado a refazer, pela segunda vez, seus planos políticos e cumprir a promessa que fez lá atrás aos paulistanos quando tomou posse

Adriana Ferraz e Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2018 | 05h00

Pouco mais de um ano após assumir o comando da capital paulista, o prefeito João Doria (PSDB) pode ser obrigado a refazer, pela segunda vez, seus planos políticos e cumprir a promessa que fez lá atrás aos paulistanos quando tomou posse: ser gestor da cidade por quatro anos, o que ele tem reafirmado publicamente. A jogada de seu padrinho político, Geraldo Alckmin, se concretizada, vai impedir não só o voo presidencial de seu afilhado, mas também o estadual – ao menos no PSDB. 

Para aliados de Alckmin, que ficou contrariado com a ambição presidencial demonstrada por Doria ao longo do ano passado, amarrá-lo na Prefeitura seria o desfecho perfeito para quem pensou que poderia furar a fila e colocar em risco um xadrez montado no palanque de 2014 – quando o tucano convidou Márcio França (PSB) para ser seu vice. Vem daí o acordo, mesmo que informal, de Alckmin com França em prol de “um projeto nacional”. 

O arranjo frustra ainda as pretensões políticas do vice-prefeito Bruno Covas (PSDB). Principal articulador de alianças partidárias em prol da candidatura de Doria ao Bandeirantes, o neto de Mário Covas é o maior interessado na renúncia do atual prefeito para conseguir repetir o feito do avô, que administrou a cidade entre 1983 e 1986. Agora, os alckmistas trabalham para dissuadir a ala do partido que ainda prega a candidatura própria no Estado com o argumento de que só um tucano pode defender o legado de Alckmin.

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