DIDA SAMPAIO/ESTAD?O
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Bastidores: governo acredita que, com condenação de Lula, eleição 'começou'

Auxiliares de Temer avaliam que condenação do ex-presidente favorecerá aglutinação em torno de uma candidatura de centro e provocará afastamento do petista de parlamentares da base aliada e do PMDB

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 20h19

BRASÍLIA - Por mais que oficialmente o Palácio do Planalto tentasse manter distância do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, auxiliares diretos do presidente Michel Temer estão convencidos de que, agora, com a sentença definida, está deflagrado o processo eleitoral. O placar de três a zero contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com esta avaliação, favorecerá uma aglutinação em torno de uma candidatura de centro e provocará afastamento do petista de parlamentares da base aliada e do PMDB, que tinham se distanciado do governo, principalmente no Nordeste do País. 

A expectativa é que esse grupo, que inclui peemedebistas como o atual e o ex- presidente do Senado Eunício Oliveira e Renan Calheiros, poderá fazer o caminho de volta, ajudando a fortalecer este nome de consenso do centro. Sinais mais concretos do que acontecerá, no entanto, só serão identificados após as primeiras pesquisas eleitorais serem realizadas, quando elas poderão mostrar se houve refluxo de apoio ao ex-presidente. Nesse quadro, o entendimento também é que essa nova condenação de Lula implicará também no afastamento de apoiadores de esquerda.

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Ao Broadcast Político/Estado, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, avaliou positivamente o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e disse que a decisão unânime foi bem articulada. "Os votos foram didáticos e com rigor técnico", comentou o ministro, que é um dos conselheiros jurídicos do presidente Temer. Segundo Torquato, o fato de o julgamento ser transmitido para todo o País foi positivo. "A transmissão ao vivo foi importante para a opinião pública e a mídia firmarem sua própria narrativa independente", afirmou. 

Ao ser questionado qual sua avaliação sobre o impacto da condenação no processo eleitoral, Torquato afirmou que "é muito cedo para saber".

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Auxiliares do presidente Michel Temer evitaram durante todo o dia manifestações a respeito do julgamento, mas após o resultado a avaliação de fontes próximas a Temer é que dificilmente Lula terá condições de disputar a eleição presidencial este ano. Para uma fonte, o julgamento é uma espécie de "pá de cal na esquerda brasileira", que tem seu protagonismo muito ligado a Lula e ao PT. 

Alguns auxiliares alertam que Lula não deve desistir e vai tentar garantir seu nome na disputa, mesmo que tenha que fazer uma eleição sob judice, até por uma questão de "sobrevivência própria". 

Apesar disso, fontes próximas ao presidente Temer disseram ainda que um cenário sem a presença de Lula fortalecerá a candidatura de centro. O governo ainda busca um candidato único de centro que possa ter condições de representar o legado do presidente. Na avaliação desta fonte, o deputado Jair Bolsonaro, que também é pré-candidato e polariza com Lula na disputa, sem o petista, vai acabar tendo mais espaço para falar e com isso "tende a minguar" sua aceitação com a população.

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Sobre a possibilidade de que o ex-presidente consiga reforçar o discurso de que é vítima de um golpe, auxiliares de Temer observaram que a situação da economia ajuda o país e manter um clima de otimismo e que não há margem atualmente para esse processo de "vitimização".

Os auxiliares que comentaram o julgamento desta quarta-feira antes do resultado destacaram que era esperada a condenação por um placar de 3 a 0, como aconteceu. Após o resultado, no entanto, alguns salientaram que o aumento da pena foi uma "novidade", que apesar disso não altera o cenário de que o petista está cada vez mais distante de viabilizar sua candidatura.

Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Carlos Marun (Secretaria de Governo), que passaram o dia no Palácio do Planalto, disseram que não havia razões de o governo se manifestar sobre o julgamento. "O governo não tem que opinar neste caso", disse Marun, em coletiva.

Maia 

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que está interinamente na presidência da república enquanto Temer está na Suíça, decidiu se manifestar por nota. "Construí minha carreira combatendo, no campo da política, as teses defendidas pelo ex-presidente Lula e pelo PT. Ainda assim, quem tem responsabilidade pública, em qualquer Nação, não pode estar celebrando o dia de hoje", disse.

Tido como pré-candidato à eleição presidencial, Maia afirmou ainda que apesar da condenação ter sido confirmada pelo  Tribunal Regional Federal da 4ª Região, "na política, o melhor foro de enfrentamento de teses diferentes é a campanha eleitoral". "Nela, o veredito é dado pelas urnas. Mas a campanha não começou, e quem se pronunciou hoje foi o Poder Judiciário. É necessário ouvi-lo e respeitá-lo", afirmou.

Os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) condenaram Lula no caso tríplex e aumentaram a pena de nove anos e seis meses de prisão para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro.   

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