Bastidores: Fritura de Ana de Hollanda é fruto da rivalidade entre grupos do Rio e de SP

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2011 | 23h00

O Ministério da Cultura virou uma disputa entre feudos do PT e da classe artística. Sob "fritura", a ministra Ana de Hollanda representa uma tropa de petistas cariocas e de artistas liderados pelo ator Antônio Grassi que sempre se opôs à gestão anterior, do ex-ministro Juca Ferreira.

 

Agora no poder, esse grupo não quer abrir mão do ministério que almejou, sem sucesso, durante os oito anos do governo Lula. De olho na vaga de Ana Hollanda, setores do PT paulista, representados pelo ator Sérgio Mamberti no ministério e pelo grupo da "Cultura Digital", minam o nome da irmã de Chico Buarque nos bastidores. Veem na crise instalada uma oportunidade para assumir a direção do volante cultural do governo Dilma.

 

O grupo carioca sabe que não tem um substituto imediato para a ministra em caso de queda. Uma eventual demissão seria uma tragédia política por ser o primeiro ministro a cair e ainda uma mulher, um cenário desgastante que poderia levar Dilma a retirar o cargo das mãos desse grupo petista. Segurar Ana é preservar o controle da pasta. Cercá-la de pessoas de confiança é a melhor estratégia num momento como esse.

 

A cena da ministra deixando um debate em São Paulo sob escolta policial, após uma audiência tensa com artistas, é um capítulo do que o governo classifica de "orquestração sórdida" contra ela. O grupo paulista não simpatiza politicamente, mas é mais alinhado com as propostas da gestão de Juca Ferreira, que assumiu o cargo como filiado do PV, ao suceder Gilberto Gil.

 

Partiu de Antônio Grassi – desafeto de Juca – a ideia de sugerir o nome de Ana de Hollanda para ser ministra após Dilma decidir que queria uma mulher para o cargo. Grassi e Ana trabalharam juntos na Funarte no primeiro governo Lula. A indicação dela ganhou força com o prestígio conquistado por Grassi e aliados no encontro entre Dilma, artistas e intelectuais no Teatro Casa Grande, no Rio, na campanha eleitoral. Grassi tornou-se assim um dos patrocinadores de Ana de Hollanda e, logo depois, foi nomeado para presidir a fundação, cargo que ocupou até 2007, quando foi demitido por Juca Ferreira.

 

Passados quatro meses, Grassi agora é quem comanda a operação para segurá-la. Conta com a secretária nacional de Cultura do PT, Morgana Eneile, recém convidada pela ministra para o cargo de assessora especial. Nem mesmo no PT carioca, no entanto, Ana é unanimidade. O deputado Alexandre Molon, por exemplo, pediu uma audiência pública com a ministra na Câmara para discutir sobre a lei de direito autoral.

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