BASTIDORES: Em meio ao recesso, Teori já analisa delações da Odebrecht no STF

Relator da Lava Jato no Supremo, ministro já havia afirmado que a equipe dele não pararia neste período para adiantar a verificação da regularidade das colaborações e, assim, poder homologá-las o quanto antes

Breno Pires e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2017 | 19h06

BRASÍLIA - Em meio ao recesso do Judiciário, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), já está trabalhando normalmente no gabinete dele. A excepcionalidade se deve à análise das 77 propostas de delação premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht encaminhadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no fim do ano judiciário de 2016. Relator da Lava Jato no Supremo, Teori já havia afirmado que a equipe dele não pararia no recesso para adiantar a verificação da regularidade das delações e, assim, poder homologá-las o quanto antes.

É esperado para os próximos dias o início das audiências com os delatores. Nessa etapa juízes auxiliares do ministro verificam se os executivos firmaram o acordo com o Ministério Público de forma espontânea. Na tarde desta terça-feira, 17, Teori deu os primeiros despachos, determinando diligências nas petições relacionadas a Odebrecht. O material é mantido sob sigilo no Supremo.

O Estado informou que os investigadores da Lava Jato preveem que boa parte do conteúdo das delações da Odebrecht seja tornada pública ainda na primeira quinzena de fevereiro. A expectativa de investigadores é de que Teori atenda ao pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e retire o sigilo da maioria dos cerca de 900 depoimentos, tão logo as delações sejam homologadas. Isso deve ocorrer após o fim do recesso do Judiciário, nos primeiros dias de fevereiro.

Na última sessão do STF em 2016, Teori Zavascki havia dito à imprensa que não tinha como dar um prazo para a conclusão das homologações. Mas afirmou, no entanto, que "da parte que me toca, não vai ter atraso". O ministro também havia lamentado o fato de que conteúdos de delações tivessem vazado, mas não deu indícios de que isso poderia acarretar em algum prejuízo processual. 

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