BASTIDORES: Desgaste pode contaminar reforma e precipitar saídas

O esforço do governo, agora, é para separar a crise política da agenda econômica

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2017 | 05h00

O discurso do presidente Michel Temer para mostrar que não há paralisia da máquina administrativa não condiz com a tensão no Palácio do Planalto. Um dia após o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ter autorizado a abertura de inquéritos contra ministros, senadores, deputados e governadores, aliados de Temer avaliavam, nos bastidores, que o novo escândalo tem todos os ingredientes para contaminar as votações de interesse do Planalto. Pior: para dificultar ainda mais a aprovação da reforma da Previdência no Congresso.

O esforço do governo, agora, é para separar a crise política da agenda econômica. Temer está fazendo todas as concessões com o objetivo de mudar o sistema de aposentadoria. O problema é que a crise tem fatores incontroláveis e, diante desse quadro, não se sabe quanto tempo os ministros investigados aguentarão em seus cargos. Oito dos 28 titulares da Esplanada estão na lista de Fachin.

Em fevereiro, Temer lançou uma vacina para ganhar tempo e contornar os prejuízos da Lava Jato sobre o governo. Estabeleceu uma linha de corte pela qual ministros denunciados serão afastados. Se virarem réus, terão de entregar os cargos. Advogado constitucionalista, o presidente sabe que processos assim podem levar anos.

O plano inicial de Temer é segurar os principais ministros o maior tempo possível, especialmente o capitão do time, Eliseu Padilha (Casa Civil), responsável pela condução da reforma da Previdência no Congresso, e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), outro amigo de longa data.

O cenário ideal para Temer seria fazer trocas na equipe somente em abril de 2018, quando aqueles que disputarão as eleições terão de deixar o governo, como manda a lei. O agravamento da crise, porém, pode mudar esse código de conduta e precipitar demissões.

Em reuniões realizadas nos últimos dois dias, no Planalto, a retomada do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer foi lembrada como mais uma turbulência nesse horizonte nebuloso.

Ninguém no governo acha que Temer será deposto, como Dilma, mas há receio de que o desgaste continuado, com ministros sangrando em praça pública, desestabilize a gestão do PMDB.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.