Bastidores: Delação da JBS aumenta possibilidade de Temer ser cassado no TSE

Integrantes da corte eleitoral falam que condições políticas 'derreteram' a ponto 'contaminar' julgamento da chapa

Rafael Moraes Moura e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 20h21

BRASÍLIA – O conteúdo da delação da JBS provocou uma “hecatombe” no cenário político brasileiro, lançou uma nuvem de incertezas no julgamento da chapa Dilma-Temer e aumentou a possibilidade de uma eventual cassação do peemedebista, avaliam fontes ouvidas pelo Estado.

Dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já se discute internamente a possibilidade de antecipar a retomada do julgamento da chapa – prevista para 6 de junho –, mas a decisão final deverá ser tomada pelo presidente da corte eleitoral, ministro Gilmar Mendes, que chega a Brasília na noite desta quinta-feira, 18, depois de cumprir agenda oficial na Rússia.

“Está todo mundo chocado. É uma bomba atômica”, afirmou um integrante do TSE ouvido reservadamente pelo Estado. “É quase um ‘The Walking Dead’”, disse, referindo-se ao seriado americano em que um grupo de humanos tenta sobreviver em um mundo dominado por zumbis.

Já há dentro do tribunal quem defenda reservadamente uma eventual antecipação do julgamento, mas o assunto ainda deverá ser discutido por Gilmar e os demais integrantes da corte.

A delação premiada de Joesley Batista e de seu irmão Wesley não faz parte do processo que apura se a chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014, mas é consenso entre os diferentes atores envolvidos no processo - tanto ministros quanto advogados e auxiliares - que pode haver uma contaminação política.

“As revelações podem impressionar e impactar a cabeça de cada ministro”, disse um ex-integrante da corte eleitoral que pediu para não ser identificado.

Um auxiliar direto de Temer vê um quadro de desolação em meio aos últimos desdobramentos. “Impossível qualquer decisão agora”, resumiu.

Estabilidade. O conteúdo explosivo da delação da JBS - que ainda não veio totalmente à tona - pode esvaziar a alegação da defesa de Temer de que a manutenção do presidente no cargo preservaria a estabilidade política do País.

Em suas alegações finais, os advogados de Temer afirmaram ao TSE que uma eventual cassação do presidente produziria consequências "imediatas”, “tanto na estabilidade política como no imprevisível comportamento da economia”. Nesta quinta-feira, 18, no entanto, o dia foi turbulento no mercado financeiro, com o Índice Bovespa em queda livre e disparada do dólar, encerrando os negócios cotado a R$ 3,3868, em alta de 8,07%.

“Uma coisa é julgar em um cenário positivo, com estabilidade e um governo com aceitação social. Outra coisa é julgar em tempos de crise. As condições políticas derreteram”, resume um integrante da corte eleitoral.

Dentro do TSE, já se dava como certo que o ministro Herman Benjamin, relator da ação, votará a favor da cassação da chapa, mas a tendência - antes das revelações dos donos da JBS - era de absolver Temer das acusações. Nos bastidores, as apostas eram de que apenas a ministra Rosa Weber acompanharia o voto de Herman pela cassação do presidente.

Agora, o cenário é totalmente outro, com uma nuvem de incerteza lançada sobre o julgamento do TSE, a sobrevivência política de Temer e o futuro do País. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.