BASTIDORES: De volta, Bolsonaro avalia ‘desgaste’ com caso envolvendo filho

Interlocutores próximos ao presidente demonstraram preocupação com os 'sinais trocados' dados ainda em Davos, onde participou do Fórum Econômico Mundial

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2019 | 05h00

Depois de quatro dias fora do País, o presidente Jair Bolsonaro retornaria ao Brasil na madrugada desta sexta-feira, 25, e pretende se reunir com assessores próximos para fazer uma avaliação da primeira viagem internacional e de eventual desgaste na imagem do seu governo após relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações bancárias atípicas do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

A reunião deve ser realizada no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. Nesta sexta-feira, Bolsonaro tem ainda agendas no Palácio do Planalto com o titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e outros ministros de Estado.

Interlocutores próximos ao presidente demonstraram preocupação com os “sinais trocados” dados por Bolsonaro ainda em Davos, onde participou do Fórum Econômico Mundial. Primeiro, o presidente disse que, se o seu filho mais velho estiver errado, deve pagar. Depois, mudou o tom e afirmou que estavam atacando “o garoto” para atingi-lo. Jair Bolsonaro tem dito a assessores que considera um “massacre” o episódio envolvendo Flávio.

Com a cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, marcada para a próxima segunda-feira, 28, há uma ala que acredita que a pressão sobre Bolsonaro e seu governo deve diminuir, auxiliando na tentativa de separar o caso Flávio Bolsonaro do Palácio do Planalto. Outros auxiliares, no entanto, têm uma avaliação diferente. Consideram que não haverá trégua para o presidente e que Bolsonaro não pode dar declarações dúbias que suscitem dúvidas de que ele não vai tolerar desvios, mesmo que sejam cometidos por seus filhos, para não desgastar seu capital político.

Para auxiliares, a decisão do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de anunciar um pacote de meta de 100 dias de governo, também acabou não ajudando. O pacote anunciado não citou o tema da reforma da Previdência, considerada o principal projeto do governo para equilibrar as contas públicas.

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