DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Bastidores: Crise no governo tem ligação com caso de Flávio Bolsonaro

No gabinete presidencial, sentimento era de que delegado demitido fazia 'corpo mole' ao não contestar ações que Bolsonaro considerava desmandos em investigações

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2019 | 05h00

A demissão pública anunciada por Jair Bolsonaro do superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, teve como pano de fundo investigações envolvendo a família do presidente. Desde o início do governo, Bolsonaro se queixava de ataques aos parentes e de tentativas de ligar seus filhos a milicianos.

Na avaliação de integrantes do governo, esses ataques começaram após o Estado revelar, em dezembro, movimentações atípicas nas contas do ex-policial militar Fabrício Queiroz, que trabalhava como assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho “01”, na Assembleia Legislativa do Rio. Para o presidente, todo o processo seria uma perseguição política à sua família.

Saadi, segundo interlocutores de Bolsonaro, fazia “corpo mole” ao não contestar as ações que o presidente considerava desmandos nas investigações. Embora o delegado não estivesse à frente dos casos, no gabinete presidencial o sentimento era de que o comportamento dele era de corroborar para que as buscas sobre a família fossem adiante.

Bolsonaro queria a saída do delegado, mas sabia que poderia mexer em um vespeiro. Saadi já deixaria o cargo, mas o processo acabou antecipado com o anúncio do presidente, que surpreendeu a cúpula da PF e causou uma crise interna, além de deixar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, a quem o órgão é subordinado, encurralado.

Se atendesse a vontade do presidente ao nomear o superintendente do Amazonas, Alexandre Saraiva – como sugeriu Bolsonaro –, Moro poderia perder o controle da PF. Por outro lado, contrariar o presidente também teria seu preço. Foi preciso uma conversa entre os dois, ainda na quinta-feira, 15, para que a situação fosse contornada.

Em um recuo estratégico, Bolsonaro amenizou o tom das declarações ao longo da manhã desta sexta-feira, 16, após ser avisado da revolta dos delegados. Disse, então, que aceitaria a indicação da cúpula da organização. Seu principal objetivo, a saída de Saadi, já havia sido atingido.

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