André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Bastidores: Citação de ministros preocupa Temer

A principal preocupação é em relação ao ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

14 Março 2017 | 19h59

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer está bastante preocupado com o impacto da chamada “lista de Janot” sobre o governo. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar pelo menos cinco ministros, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A principal preocupação é em relação ao ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. A situação dele é vista como “a mais delicada” pelo Palácio do Planalto. Mesmo assim, Temer tenta de toda forma manter o ministro, ao menos até a aprovação da reforma da Previdência no Congresso.

Padilha retornou na segunda-feira ao trabalho, após 21 dias de licença médica. No Planalto, auxiliares do presidente dizem que, se ele for obrigado a dispensar Padilha, esta será a substituição mais difícil de todas.

Outros nomes da lista de Janot são os dos ministros Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), Bruno Araújo (Cidades), Gilberto Kassab (Comunicações) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores).

Além de Padilha, Moreira Franco também é bem próximo a Temer. Em conversas reservadas, deputados do PMDB dizem que, se Padilha e Moreira caírem, Temer fica completamente desprotegido no Planalto. “Quem você acha que vão querer derrubar depois?”, perguntou um auxiliar do presidente, sob a condição de anonimato.

O governo torce para que a divulgação dos nomes contidos na lista de Janot venha logo a público para acabar com o que se chama de clima do “fim do mundo”. O receio ainda é o do “vazamento seletivo” da lista.

Temer já disse esperar que o sigilo das delações seja quebrado de uma única vez. Embora o discurso no governo seja o de que a divulgação da lista não afetará a tramitação dos projetos de interesse do Planalto no Congresso, a incerteza ronda as votações. Nos bastidores, a avaliação é a de que nada será como antes e, com aliados atingidos, não será nada fácil para o governo aprovar a reforma da Previdência, considerada fundamental para o ajuste das contas públicas e a retomada do crescimento.

Em entrevista ao Estado, na semana passada, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira disse que delatores, ameaçados de prisão por vários anos, são "compelidos a entregar carne nova" e muitas  vezes "inventam". "O governo não vai acabar com a lista de Janot", afirmou o ministro, na ocasião, admitindo que poderia haver menções a seu nome. "Se o Brasil for parar por isso, não tem saída", argumentou ele.  

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