Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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Bastidores: Canuto é a quinta 'demissão surpresa' de Bolsonaro

Presidente evita que as quedas vazem à imprensa com antecedência; assim, vem conseguindo surpreender até mesmo auxiliares e aliados

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 19h35

BRASÍLIA  - O presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez, usou o fator surpresa para demitir nesta quinta-feira, 6, o seu quinto ministro. Apesar dos constantes rumores de baixas no governo, Bolsonaro evita que as quedas vazem à imprensa com antecedência. E, assim, vem conseguindo surpreender até mesmo auxiliares e aliados com trânsito livre em seu gabinete. 

Foi o que ocorreu nesta tarde quando a exoneração do ministro Gustavo Canuto foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Desde o final do ano passado, Bolsonaro vinha se queixando da falta de entregas no Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Rogério Marinho, secretário Especial da Previdência e Trabalho, assumirá o posto. 

Desde então, a demissão de Canuto, considerado fraco pelo presidente, já era assunto nos corredores do Planalto, mas Bolsonaro preferiu retardar a decisão ao máximo. Assessores diretos relatam  que ele se irrita profundamente com a especulação constante de mudanças no governo e, por isso, costuma deixar suas decisões restritas a um grupo pequeno e considerado leal. 

Em entrevista exclusiva ao Estado na quarta-feira, logo após o evento que marcou os 400 dias do governo, Bolsonaro se recusou a falar de mudanças no governo, mas sinalizou que aguardava o “momento ideal”

“Tudo o que tiver que mudar em ministérios será mudado na hora certa, e se, e se, tiver que mudar. Nós já mudamos quatro ministros já”, disse.  Ao ser questionado por que as decisões demoram a ser tomadas, o presidente justificou: “Vocês (da imprensa) nos últimos meses toda a semana mudava um ministro.”

A expectativa agora é se a demissão de Canuto, que assumirá a  Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), é o início de uma reforma ministerial. 

Na berlinda, estão os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o da Educação, Abraham Weintraub, ambos contestados dentro no próprio governo e também por parlamentares. Também tem sido alvo de queixas presidenciais os ministros da Cidadania, Osmar Terra, e Luiz Henrique Mandetta, da Saúde. Mandeita ganhou hoje elogio público do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "O ministro da Saúde, Mandetta, deu uma boa entrevista na TV. Não fugiu das questões, do coronavírus, da equidade etc. Mostrou equilíbrio. É disso que outros ministros precisam. Não de “ideologias”, de gênero, raça ou do que seja:abrir o jogo, aceitar diferenças e buscar soluções", postou no Twitter.  

As alterações, no entanto, podem se estender a outras pastas. Ao Estado, Bolsonaro prometeu dar um imediato “cartão vermelho” a ministros que usarem seus cargos e ações do Executivo para se beneficiar eleitoralmente. 

Já deixaram o governo Bolsonaro os ex-ministros Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral), Ricardo Vélez (Educação),  Floriano Peixoto (Secretaria-Geral) e Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo). 

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