1: Dida Sampaio/Estadão; 2: Reprodução
1: Dida Sampaio/Estadão; 2: Reprodução

Bastidores: Braga Netto foi questionado em grupo de ministros por suposto voo da FAB com Olavo

Ministro da Defesa assegurou a colegas que guru bolsonarista não utilizou aeronave do governo em 'voo repentino” do Brasil para os EUA após tratamento em São Paulo

André Shalders, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2021 | 10h56

BRASÍLIA — O ministro da Defesa, o general da reserva do Exército Walter Braga Netto, assegurou aos demais ministros do presidente Jair Bolsonaro que a Força Aérea Brasileira (FAB) não transportou o guru Olavo de Carvalho de volta aos EUA, onde ele vive. “Senhores, Olavo de Carvalho não foi em avião da FAB para lugar algum. Fake news”, disse o general numa mensagem  a um grupo do aplicativo WhatsApp que reúne todos os ministros do governo, após ser questionado por colegas. A mensagem foi enviada às 18h42 do último sábado, dia 22.

Braga Netto enviou a mensagem depois de procurar o comandante da FAB, o tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, que confirmou que Olavo não voou numa aeronave da FAB. Dias antes de viajar, em 9 de novembro, o escritor tinha sido intimado pela Polícia Federal (PF) a depor no inquérito das “milícias digitais”, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O ministro da Defesa também reafirmou a versão de que a FAB não transportou Olavo em mensagens privadas para outras autoridades do Executivo, e a negativa dele foi transmitida a Alexandre de Moraes.

Olavo de Carvalho, de 74 anos, estava no Brasil desde meados do ano para um tratamento de saúde, relacionado a problemas cardíacos. O escritor foi internado inicialmente no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), mas depois passou por várias internações na clínica Saint Marie, na Zona Sul da cidade. Ele deixou o local no dia 11 de novembro.

Dias depois, em 16 de novembro, Olavo postou um vídeo em seu canal no YouTube informando que já estava em casa, nos EUA. “Como eu vim parar aqui? A história é muito breve: eu estava no hospital e me ofereceram um voo repentino, para dali a 15 minutos. Eu não ia perder essa oportunidade”, disse, sem informar quem pagou pela viagem.

Braga Netto se explicou aos demais ministros no grupo após uma publicação sobre Olavo viralizar no Twitter no começo da tarde de sábado — o texto sugere, sem afirmar peremptoriamente, que o filósofo poderia ter viajado para os EUA em um voo da FAB no dia 13 de novembro, um sábado. Nos dias seguintes, a aeronave prestou serviço ao ministro das Comunicações, Fábio Faria, que a usou para visitar diferentes cidades dos EUA. Ele esteve com o bilionário Elon Musk em Austin, no Texas; e com a CEO da SpaceX, uma das empresas de Musk, em Los Angeles, na Califórnia.

“Tudo começou com uma dica de uma pessoa com boas ligações em Brasília: ‘Olavo de Carvalho foi para os Estados Unidos no avião do ministro Fábio Faria’”, dizia a publicação no Twitter, que, no entanto, não traz provas da afirmação. Deputados do PT como Paulo Teixeira (SP), Jorge Solla (BA) e Alexandre Padilha (SP) disseram que tentariam apurar o assunto.

Depois de chegar aos EUA, a aeronave da FAB transportou cinco passageiros: o próprio Fábio Faria; a secretária-executiva do Ministério das Comunicações, Maria Estella Dantas; o assessor especial Modesto Keyson Leite Lima; o secretário de telecomunicações Artur Coimbra de Oliveira; e fotógrafo Cleverson Oliveira. Na ida para os EUA, o voo da FAB estava tripulado apenas por militares: dois pilotos; um co-piloto e um mecânico, segundo apurou o Estadão.

A publicação no Twitter foi compartilhada mais de 10 mil vezes e teve quase 40 mil “likes”. Pouco depois, a FAB publicou nota negando ter transportado Olavo de Carvalho. “A FAB repudia e não aceita a suposição de que teria participado de algum transporte de passageiro de maneira irregular ou oculta”, diz um trecho. No texto, a Força diz ainda que o avião pousou no aeroporto de Long Island “por motivo de restrição de pátio no aeroporto JFK (um dos principais de Nova York) (...) por ser local de grande movimentação”, onde a aeronave só poderia ficar por duas horas, inviabilizando o voo direto. “O pouso em Long Island foi então considerado pelo fato de já ser um local comumente utilizado como base de suporte pela FAB em viagens para Nova York”, diz outro trecho.

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