Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bastidores: Bom humor ao lado de Levy e bronca no operador do 'TP'

A primeira reunião ministerial do ano serviu para jogar uma ducha de água fria na expectativa dos novatos. A partir de agora, nenhum programa poderá ser lançado sem passar pela lupa dos Ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil, que formam a "junta orçamentária" do governo.

O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2015 | 02h04

O alerta foi feito pelo titular do Planejamento, Nelson Barbosa, a pedido da presidente Dilma Rousseff. Ele e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, destacaram a necessidade de segurar os gastos para o cumprimento da meta fiscal.

Dilma e Levy deixaram a sala da reunião, na Granja do Torto, por cerca de 15 minutos, provocando curiosidade. "Eles foram ali resolver uma crise, mas é uma crise administrativa", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Quando voltaram, a presidente e o ministro estavam bem humorados. Nos bastidores, o comentário era que um governador do Nordeste teria ligado para Dilma para pedir a liberação de um recurso, de forma urgente. A presidente pôs Levy em contato com o governador.

Mercadante aproveitou a reunião para pedir aos ministros que não façam "disputas" pela imprensa. Nos últimos dias, ficaram evidentes divergências entre o chefe da Casa Civil e a equipe econômica. Além disso, no sábado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, chegou a divulgar nota afirmando que "o seguro-desemprego é cláusula pétrea".

Foi uma resposta à declaração de Levy, que, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, durante sua passagem pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, disse que o modelo do seguro-desemprego existente no Brasil estava "completamente ultrapassado".

Ontem, Rossetto elogiou as medidas adotadas pela equipe econômica e disse que o ajuste está "na direção correta".

Dilma demonstrou irritação na abertura do encontro e quando o microfone falhou. Ao ler o pronunciamento, ela cobrou pressa do auxiliar que manuseava o teleprompter, ou "TP", equipamento acoplado à câmera de vídeo para exibir o discurso. "Dá para passar mais rápido?", pediu. Diante da demora, replicou: "Deixa, eu vou ler aqui."

Depois da reunião, Dilma e os ministros sentaram-se à mesa para jantar. No cardápio, bacalhau, filé, pato e salada. "Vocês podem se servir, mas eu e o José Eduardo vamos de dieta Ravenna", disse Dilma, numa referência ao regime feito por ela e por José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. / Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rafael Moraes Mourae Nivaldo Souza

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