Bastidores: A preocupação com o próximo balanço

Orientada pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem dialogado com sua correlata norte-americana, a Security Exchange Comission (SEC), para construir um mecanismo que permita contabilizar, de forma crível e segura, as perdas decorrentes de desvios na Petrobrás. Técnicos correm contra o tempo para conseguir uma solução e publicar o balanço de 2014 da estatal dentro dos prazos legais.

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2015 | 02h03

O acordo com o órgão regulador dos EUA é importante porque a Petrobrás tem papéis naquele mercado. Portanto, precisa divulgar seu balanço lá também.

O que se sabe, por ora, é que o rombo não chega aos R$ 88,6 bilhões que a empresa divulgou como estimativa de supervalorização de ativos. Há nesse número perdas decorrentes da queda da cotação internacional do petróleo e de decisões do comando da empresa por negócios ruins. A questão é como calcular os malfeitos - uma apuração que a Justiça brasileira pode levar anos para concluir.

Na reunião de 27 de janeiro, os conselheiros foram pegos de surpresa com a conta apresentada por Graça Foster. Ela apresentou e defendeu um parecer que indicava perdas de R$ 61 bilhões para a empresa - diferença entre ativos superavaliados em R$ 88 bilhões e outros subavaliados em R$ 27 bilhões. Graça chegou a anunciar aos conselheiros o lançamento do resultado no balanço do terceiro trimestre. Entraria como baixa no patrimônio líquido, sem impactar no lucro, mas elevaria a alavancagem - relação entre a dívida e o patrimônio - da empresa.

Os conselheiros ficaram perplexos. Eles esperavam perdas de R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões em função de atos de corrupção. Graça, porém, acreditava que conseguiria aprovar o valor até 30 vezes maior, o que não ocorreu.

Apesar da renúncia, Graça é quem assinará o balanço do quarto trimestre de 2014, ainda sem previsão de data para ser divulgado. Mesmo fora da Petrobrás, a ex-presidente tem de responder por esses números.

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