ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA

Bastidor: Doria e Eduardo Leite disputam holofotes no PSDB

Especulação de candidatura ao Planalto do gaúcho gera incômodo no governador de SP

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2019 | 05h30

Convocado para jogar os holofotes sobre um partido que perdeu a identidade e parece caminhar para uma guinada à direita, o Congresso do PSDB vai escancarar hoje um novo racha, desta vez por causa da disputa de 2022. Depois de atropelar o tucano Geraldo Alckmin na campanha presidencial do ano passado para incentivar, nos bastidores, o voto “Bolsodoria”, o governador de São Paulo, João Doria, prepara sua própria candidatura à sucessão de Jair Bolsonaro. Não imaginava, porém, que enfrentaria um concorrente interno: Eduardo Leite, seu colega do Rio Grande do Sul.

O governador gaúcho foi elogiado como exemplo de “renovação política”, nesta temporada, por ninguém menos do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para completar, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, também dirigiu afagos públicos a Leite e, em entrevista ao jornal Valor, disse que Doria não era a única alternativa do partido para 2022. O governador paulista ficou furioso. Pegou o telefone e passou uma descompostura em Araújo. É nesse clima que se desenrola hoje o Congresso do PSDB.

Leite já avisou que não tentará a reeleição e praticamente lançou sua candidatura ao Planalto, enfrentando Doria. Mas os problemas não param aí. Se o deputado Aécio Neves (MG) for ao encontro tucano, haverá novo constrangimento. Doria fez de tudo para expulsar Aécio do partido. Acusado de receber propina do empresário Joesley Batista, sócio da J&F, e de obstruir a Justiça em inquéritos da Operação Lava Jato, Aécio conseguiu sobreviver, mas não fala com Doria. Seus aliados da bancada mineira planejam um desagravo e prometem vaiar o paulista na reunião de hoje.

E assim vai indo o PSDB, que, após mergulhar na geleia geral da política, quer aparecer agora com cara de oposição a Bolsonaro e fazer prévia para escolher o próximo candidato ao Palácio do Planalto. Resta saber quantas casas conseguirá avançar nesse jogo, se não ficar de novo em cima do muro.

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