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Bastidor: Chefe da Secom é pressionado a tirar empresário de sua empresa

Para auxiliares de Bolsonaro, o fato de os irmãos Samy e Fábio Liberman trabalharem, respectivamente, na Secom e na empresa de Wajngarten, secretário de Comunicação, pode levantar dúvidas em relação à moralidade do governo

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2020 | 23h03

BRASÍLIA  – O secretário de Comunicação Social da Presidência (Secom), Fábio Wajngarten, está sendo pressionado a afastar o empresário Fabio Liberman da administração da FW Comunicação e Marketing, companhia da qual é sócio e se desligou quando assumiu o cargo no governo, em abril de 2019. Fábio Liberman é irmão de Samy Liberman, secretário adjunto de Wajngarten e número 2 na hierarquia da Secom.

Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro dizem que, embora ele continue defendendo Wajngarten e mantenha a confiança no auxiliar, a saída de Fabio Limerman da FW seria prudente. Citam até mesmo o provérbio segundo o qual “a mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Para esses auxiliares, a presença do irmão do secretário adjunto da Secom na empresa de Wajngarten dá margem a especulações e questionamentos. O fato de os irmãos Liberman trabalharem, respectivamente, na Secom e na empresa de Wajngarten, embora não seja ilegal, pode levantar dúvidas em relação à moralidade do governo.

Apesar de todo o apoio até agora dado pelo presidente a Wajngarten, o secretário está “arrasado”, de acordo com relato de seus amigos. O secretário chegou a se emocionar na reunião realizada nesta quinta-feira, 16, no Palácio do Planalto, quando foi feita nova avaliação do seu caso.

O governo está convencido de que há uma séria “crise de imagem” e que será necessário um esforço muito grande para reverter esse quadro. Depois de seu pronunciamento nesta quarta-feira e da reunião realizada em seguida, no Palácio do Planalto, com vários ministros e a área jurídica da Presidência, Wajngarten teria convencido seus pares da sua lisura por ter cumprido todas as exigências legais para assumir a Secom. Mas, na avaliação de interlocutores de Bolsonaro, precisa agora fazer um novo gesto para tirar essa “pedra no caminho”, que é o problema dos irmãos Liberman.

Nesta quinta, Wajngarten chegou a avisar que estava “esgotado” e que iria para casa, em São Paulo. Foi aconselhado, no entanto, a desistir da viagem porque seria criticado por estar embarcando, com passagem paga pelo contribuinte, sem qualquer agenda prevista para cumprir na capital paulista.

No Planalto, assessores do presidente estão convencidos de que os ataques não cessarão. Para o governo, o alvo real é o próprio Bolsonaro e todos que estão ao seu redor ficarão sob fogo cruzado. Mesmo com o apoio explícito de Bolsonaro e do seu superior hierárquico direto, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, a dúvida é se Wajngarten vai “aguentar a pressão” para permanecer no cargo.

‘Deixem nosso governo em paz!’, diz Bolsonaro sobre impresa

Os ataques ao secretário de Comunicação da Presidência foram considerados uma espécie de “gota d'água” para a “explosão” do presidente em um discurso feito durante cerimônia no Planalto, nesta quinta. Muito irritado, ele mandou a imprensa “tomar vergonha na cara” e começar a “produzir verdades”. “Deixem nosso governo em paz!”, disse Bolsonaro, ao afirmar que não se pode permitir a volta do que chamou de "bandidos e corruptos da esquerda” ao comando do País.

Embora o presidente estivesse apenas repetindo os seus discursos quase que diários contra a imprensa e a esquerda, o tom exaltado foi recebido com surpresa por ministros e interlocutores. Para eles, o presidente está inconformado com o tiroteio a que é submetido diariamente e, de certa forma, apelando à população que o apoie, para que o País não se transforme em uma Venezuela.

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