BASTIDOR: Candidatos do Centrão exploram racha entre tucanos

Os candidatos do Centrão à presidência da Câmara estão explorando a divisão do PSDB para garimpar votos na bancada do partido, que tem 54 cadeiras na Casa. 

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2017 | 05h00

Jovair Arantes (PTB-GO) será o primeiro a visitar o governador Geraldo Alckmin em São Paulo. O encontro, que deve ocorrer na sexta-feira, 13, terá a presença do prefeito da capital, João Doria. Em seguida, o deputado vai se encontrar com parlamentares paulistas tucanos e de outras legendas.

Aliados de Alckmin lembram que Rodrigo Maia (DEM-RJ) optou por conversar primeiro com os adversários internos do governador – o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, e o ministro das Relações Exteriores, José Serra. Apesar disso, Alckmin não pretende apoiar abertamente ou mesmo orientar voto na Câmara.

Jovair, de Goiás, também foi o primeiro a se encontrar com o governador do Estado, Marconi Perillo. Ele saiu do encontro com a sinalização de apoio do conterrâneo. 

Também integrante do Centrão, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) deve desembarcar em São Paulo no início da próxima semana. Seus aliados fazem um cálculo otimista: pelo menos metade da bancada do PSDB estaria propensa a votar contra Maia. O motivo seria a quebra da promessa do atual presidente da Câmara de não se candidatar novamente e apoiar um nome do partido. 

Um motivo de irritação entre os tucanos é o fato de a Secretaria de Governo, que está sem titular desde a saída de Geddel Vieira Lima, ter entrado na lista de vagas cobiçadas por deputados, apesar de já ter sido prometida ao PSDB. Outro elemento que pode desagradar aos tucanos é a possibilidade, ventilada por Michel Temer, de o cargo ser desmembrado. Antonio Imbassahy, do PSDB, cuidaria do varejo no Congresso e outro correligionário seria braço operacional do presidente. Nenhum dos dois teria o mesmo poder do ex-ministro baiano. 

Integrantes do Centrão lembram, ainda, que Maia nos bastidores alimentou a fervura contra o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 

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