Bastidores: Após o confronto, um dia de troca de afagos

BRASÍLIA - Nem parecia que existia uma crise. A reunião ocorrida nesta sexta-feira, 28, com integrantes dos Três Poderes para alinhavar o Plano Nacional de Segurança Pública foi marcada pela troca de afagos entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, e o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2016 | 20h58

O objetivo do presidente Michel Temer foi tirar do papel uma agenda positiva e promover um armistício entre os protagonistas da turbulência entre os poderes após a deflagração da Operação Métis, que prendeu quatro policiais legislativos suspeitos de obstruir a Lava Jato. Temer, porém, não precisou fazer qualquer gesto em prol da conciliação no Itamaraty, o território neutro escolhido para abrigar o encontro, que durou quatro horas.

Renan já havia telefonado para Cármen Lúcia na quinta-feira, 27. Pediu perdão por ter classificado o juiz Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou as prisões no Senado, como "juizeco". O presidente do Senado também foi só elogios à ministra e a Moraes, a quem havia se referido como “chefete de polícia”. Chamou a atenção dos presentes a quantidade de vezes em que ele se dirigiu a Moraes, nesta sexta-feira, como “excelentíssimo ministro”.

Munido de um Power Point para sua apresentação, o tucano devolveu a cortesia e chegou a dizer que a criminalidade em Alagoas, terra de Renan, diminuiu. O único estresse da reunião foi quando o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, afirmou que o crime organizado teve influência nas eleições no Nordeste. “Então vamos fazer uma CPI para investigar todas as denúncias desse tipo”, reagiu Renan, irritado.

Os convidados também chegaram à conclusão de que os números disponíveis no governo sobre o sistema penitenciário não batem com a realidade. Para ilustrar essa constatação, Cármen Lúcia citou a visita que fez a presídios do Rio Grande do Norte, há oito dias. Ao conversar com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cláudio Santos, a ministra ficou intrigada com as fugas de presos no Estado. "Mas presidente, quantos fugiram?", perguntou ela. "Como é que eu vou saber se não sei nem quantos havia?", respondeu Santos. 

Cármen Lúcia ponderou que, para o Plano Nacional de Segurança Pública ser bem-sucedido, é preciso atualizar urgentemente os dados nessa área. Única mulher presente à reunião no Itamaraty, ela não deixou por menos: "Eu adoro dar ordem aos homens."

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