Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Base tenta reduzir tensão com Cunha

Em reunião no Jaburu comandada por Temer, aliados põem como prioridade distensionar ambiente e evitar pautas-bomba como FGTS

Erich Decat, Daniel Carvalho, Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2015 | 02h04

BRASÍLIA - Na primeira reunião após o recesso parlamentar realizada nessa segunda-feira, 3, entre integrantes da base aliada e representantes da coordenação política do Palácio do Planalto, formou-se o consenso de que é preciso distensionar a relação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).Segundo relatos, o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), ressaltou que o peemedebista conta hoje com apoio da maioria das lideranças da Casa em razão do sentimento de que é necessário adotar "a presunção de inocência" e o "amplo direito de defesa". O líder do PT, Sibá Machado (AC), também adotou um tom de contemporização, apesar de o partido ter sido um dos principais artífices de embates com Cunha. De acordo com líderes presentes, o petista chegou a se predispor a tentar conter integrantes da bancada que vêm encampando embates no plenário contra Cunha, como Henrique Fontana (PT-RS) e Alessandro Molon (PT-RJ).

Em meio ao clima apaziguador, os líderes acertaram que projetos que causem impacto aos cofres da União como o que muda a correção do FGTS, serão colocados em segundo plano. "Estabilizar a relação política é tudo que o País precisa", afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), após a reunião. O petista contou que vem buscando diálogo com Cunha e que vê um horizonte de melhora na relação com o presidente da Câmara. "Acredito que não vai ter essa ruptura e que não vai trazer prejuízos ao País."

Responsável pela condução das atividades na Câmara, Cunha anunciou rompimento com o governo no dia 17 de julho, após vir a público a delação feita no âmbito da Operação Lava Jato por Júlio Camargo. Alvo das investigações, Cunha pode virar réu no Supremo Tribunal Federal. Camargo acusa o deputado de pressionar pelo pagamento de propina no valor de U$ 5 milhões.

O encontro de ontem ocorreu no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer e contou com a presença de ao menos 12 líderes da base e dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Gilberto Kassab (Cidades), Armando Monteiro (Desenvolvimento) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). A vice-líder do PC do B, Luciana Santos (PE), foi uma das primeiras a demonstrar preocupação com o clima de embate entre Cunha e o Planalto. As colocações da deputada foram rebatidas por Temer e por Padilha, que lembraram que Cunha tem declarado que não vai misturar sua postura de opositor com o andamento das votações na Casa.

CPI. Mercadante demonstrou preocupação com os possíveis impactos na área econômica com os desdobramentos das CPIs do BNDES e dos Fundos de Pensão. Ambas deverão ser instaladas nesta semana e a tendência é que integrantes da oposição ocupem lugar de destaque, podendo inclusive serem designados para a relatoria. No encontro, o ministro da Casa Civil pediu atenção dos aliados para as indicações e lembrou que tanto o banco quanto os fundos de pensões são duas áreas que investem muito em setores estratégicos do País.

No reencontro dos líderes da base e ministros, também entraram nas conversas os impactos da Lava Jato. Sibá Machado criticou os desgastes causados à imagem dos parlamentares suspeitos de estarem envolvidos no esquema de desvios na Petrobrás.

Nas conversas também houve espaço para Padilha informar que 90% das negociações em torno do segundo escalão já tinha sido realizadas e que o restante dos cargos seria acomodado até o fim do mês. Houve também a promessa de liberação de R$ 4,934 bilhões de emendas até dezembro. No encontro também foi pedido que os partidos não votem propostas que tenham impacto sobre as contas públicas, a chamada "pauta-bomba" do Congresso.

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