Base tenta blindar aliados de Perillo na CPI em Goiás

Para oposição, estratégia é uma espécie de revide à CPMI que investiga o empresário Carlos Cachoeira

Ricardo Chapola, estadão.com.br

07 de junho de 2012 | 19h59

Um dia antes da exoneração do assessor de Marconi Perillo, Lúcio Fiúza Gouthier, a base aliada do governador de Goiás na Assembleia Legislativa do Estado conseguiu blindá-lo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) local que investiga o esquema do empresário Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Além de Gouthier, a ex-chefe de gabinete do governador, Eliane Pinheiro, também não vai prestar depoimento, graças a uma ação conjunta da base pela rejeição de um requerimento que convocava ambos para prestar esclarecimentos à comissão.

O argumento usado pelos governistas é de que o apoio à convocação dos dois está atrelado ao surgimento de indícios mais fortes para que Fiúza seja ouvido na CPI e também às declarações de Eliane Pinheiro. "Não adianta ela (Eliane Pinheiro) vir e ficar calada. O importante é que ela venha e resolva falar", disse o líder do PSDB na Assembleia, o deputado Túlio Isaac. Para ele, a versão de Fiúza só será válida depois do depoimento do governador de Goiás. "Depois que Perillo depôr na CPMI em Brasília, a gente analisa e vê se é importante chamar o Fiúza. Vai depender do que o governador falar lá", frisou.

Na análise do deputado da oposição Mauro Rubem (PT-GO), também membro da CPI, a articulação dos governistas compromete o próprio governador. "Eles (base aliada) estão dizendo que vão aguardar para que surjam mais coisas feitas pelo Perillo, o que confirma tudo o que ele já fez", pontuou Rubem.

Para o petista, a estratégia da oposição é uma espécie de revide à CPMI, em Brasília. "O que acontecer com o Perillo em Brasília, nós faremos com PT aqui em Goiás", alfinetou. Para o deputado, a tentativa de fazer da CPI em Goiás um escudo para os aliados de Perillo é ineficiente. "É inevitável tentar impedir os depoimentos", disse.

Fiúza foi acusado na última sexta-feira pelo jornalista Luiz Carlos Bordoni de ter feito o depósito de R$ 45 mil na conta de sua filha, Bruna Bordini, pela empresa Alberto e Pantoja, empresa fantasma que, segundo a Polícia Federal, era comandada por Cachoeira.

O jornalista afirmou que o pagamento se referia a uma dívida de campanha pelos serviços que prestou à campanha de Perillo nas eleições de 2010. Ele era o responsável pelo programa de rádio e fazia também as vezes de locutor. Bordoni alegou que só se deu conta na semana passada de que o depósito foi feito pela Pantoja, quando sua filha foi citada durante o depoimento do senador Demóstenes Torres (sem partido/GO) ao Conselho de Ética como beneficiária da empresa.

O jornalista também afirmou que recebeu de Fiúza, em 2002, no apartamento do ex-assessor, dois pagamentos em espécie por dívidas referentes aos serviços que prestou à campanha de Perillo naquele ano. Fiúza nega as acusações e sustenta que não participou de contratação nem de pagamento de qualquer profissional na campanha de 2010.

Tudo o que sabemos sobre:
CPI do Cachoeira, Marconi Perillo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.