Base reage a decisão do PT e lançamento de Ciro

O palanque montado para a candidatura presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e a decisão do PT de apresentar candidato próprio - mesmo deixando uma fresta para negociação - já causam ciumeira na base aliada. Oficialmente todos os partidos dizem que é muito cedo para esse debate, mas, nos bastidores, afiam suas garras."Se o PSB lança Ciro, por que o PT não pode ter candidato?", pergunta o deputado Jilmar Tatto (PT-SP). Tatto diz que não é o PT que não está interessado em manter a unidade na coalizão. "Se o PMDB, que é o segundo partido da base, não tem candidato e apóia o PT, quem é o PSB para ter?" O PMDB não planeja mexer nisso agora, mas suas várias alas discutem o assunto. Na legenda, o mais cotado para a sucessão do presidente Lula é o ministro da Defesa, Nelson Jobim.Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, ameniza: "Ciro é um nome muito forte e respeitável. E qualquer discussão agora é preliminar." Ciro, ao menos por enquanto, não parece disposto a brigar com o PT. Diz que o Bloco de Esquerda (PSB, PDT e PC do B) e os demais partidos da coalizão precisam ter "juízo político" e se unir. Mas já afirmou que não aceita ser vetado.Secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, acha "perfeitamente legítimo" o desejo dos aliados de ter candidatos. "Mas é preciso tomar cuidado para que a disputa não antecipe o fim do governo Lula, não facilite o jogo dos adversários nem feche a porta para uma aliança com os partidos do campo democrático." Ele diz que a resolução aprovada pelo 3.º Congresso do PT não deve dar margem a interpretações. "É um jeito educado de dizer que vamos ter candidato, protegendo o governo e a política de alianças."Para o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o PT faz jogo de cena para "enganar" os aliados. "Lula pediu para manterem a governabilidade e eles quiseram nos deixar calminhos."O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), diz que nem PT nem PSB fecharam as portas ao diálogo. "Lula pediu para tentarmos nos unir na eleição de 2008, que é o primeiro teste da coalizão, e é isso que estamos fazendo. Mas ainda é cedo para avaliações sobre 2010."

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