Dida Sampaio/AE
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Base fraca em SP e MG é obstáculo para PP, diz Dornelles

Senador espera que partido reverta tendência e dispute mais governos em 2010

Daniel Jelin, do Estadao.com.br,

20 de julho de 2009 | 13h31

O PP tem o segundo maior número de filiados no País, atrás apenas do PMDB, e disputa com o PT o terceiro lugar em número de prefeituras (atrás de PMDB e PSDB). No entanto, o desempenho nas demais eleições majoritárias é bem modesto. Não lança candidato a presidente desde 1994, quando Espiridião Amin amargou o sexto lugar, e mesmo nos Estados tem aberto mão de lançar candidaturas próprias. Em 1994, brigou por 11 governos, levou 3. Em 2006, protagonizou 3 disputas, venceu uma, em Goiás, com Alcides Rodrigues. O presidente do partido, o senador Francisco Dornelles (RJ), identifica o obstáculo às ambições executivas do PP: a posição enfraquecida em São Paulo e Minas Gerais, maiores colégios eleitorais do País. "Só tem dois partidos hoje em condições de disputar a Presidência, o PT e o PSDB. Quais são as características? Bases fortes em São Paulo." Leia a seguir trechos da entrevista.

 

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Como você enxerga a vida partidária no Partido Progressista?

O PP é um partido hoje que tem uma dimensão muito grande. É o segundo em número de filiados, praticamente 1,3 milhão. Tem 2 governadores (além de Alcides Rodrigues, o partido conta com Ivo Cassol, que se elegeu pelo PPS e depois migrou para o PP), 2 vices, 555 prefeitos, 5135 vereadores. Em número de prefeitos e vereadores, é o terceiro partido. Está organizado em todo o País e agora nossa meta é realmente nos preparar para a eleição de 2010.

O PP tem disputado menos eleições majoritárias e aparentemente se contentado com o papel de apoio em coligações.

Em 1994, o PP (então PPR) disputou eleição presidencial com Espiridião Amin. Em 98, apoiamos Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, José Serra. Em 2006, o partido não se posicionou. A gente tem uma participação grande nos Estados, mas temos que reconhecer que um partido que não tem uma base muito forte em São Paulo tem dificuldades em promover uma candidatura à Presidência da República. E a parte do PP em São Paulo e Minas Gerais, tendo em vista a população e o eleitorado, é pequena. A gente tem 147 prefeitos no Rio Grande do Sul, a maior representação no Estado. Em São Paulo, não temos 10. Só tem dois partidos hoje em condições de disputar a Presidência, o PT e o PSDB. Quais são as características? Bases fortes em São Paulo.

Em 2010, o PP espera apoiar menos e disputar mais?

Disputar mais. A gente vai fazer a partir da semana próxima uma reunião grande com todos os diretórios. Temos visto que vamos ter candidatura a governo em muitos Estados. O PP espera crescer tanto em número de governadores, como de senadores e prefeitos.

Como outros grandes partidos, PP é muito estruturado em comissões provisórias. Por quê?

O PP em alguns Estados tem um número grande de comissões provisórias, outros tem menos, dependendo da força política que ele tem no Estado. Eu te garanto que no Rio Grande do Sul ele tem um número de diretórios muito grande. Em Santa Catarina, idem. Então depende muito da força que o partido tem, do número de prefeituras.

Como você enxerga a instituição das comissões provisórias?

Eu acho que elas tinham que ter prazo de validade. Não poderiam ser prorrogadas. Tem comissão provisória que tem 10 anos, 15 anos. Eu acho que a comissão provisória deveria ter uma validade de 6 meses, prorrogável por mais 6 meses. E no momento em que ela não teve capacidade de organizar o partido, ela deveria ser extinta.

É uma forma de aumentar a transparência?

É uma forma de institucionalizar a estrutura partidária.

Passa por aí o fortalecimento do vínculo entre militância e cúpula?

 

Hoje eu acho que os movimentos são muito fortes. Nós estamos tentando hoje fortalecer o movimento da mulher, do jovem progressista, do trabalhador progressista, o movimento ambientalista progressista. Hoje eu acho que os movimentos são formas de fortalecer o partido. Não tem a ver com as comissões provisórias.

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