Base do governo negocia cargos para ampliar PR

Uma megaoperação foi desencadeada na base do governo para fazer do Partido da República (PR) uma das quatro maiores legendas de apoio ao governo Lula. A articulação é ambiciosa: passa pelo oferecimento de cargos no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) - que cuida de obras de manutenção e construção de estradas -, postos em comissões temáticas da Câmara e até presidências regionais do partido. No vale-tudo para anabolizar o PR, foram ofertados a um parlamentar R$ 32 milhões em emendas ao Orçamento da União deste ano. Foram assediados até o líder do governo, José Múcio (PTB-PE), e o provável futuro ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, que pretende deixar o PTB por divergências com o presidente da legenda, Roberto Jefferson (RJ). Em um jantar em Brasília, após brindar a ida de Múcio para a liderança do governo na Câmara, Mares Guia comentou com um amigo que existe o convite para trocar de partido, mas ponderou que irá para a legenda indicada pelo presidente Lula. Na liderança do PFL na Câmara, o desconforto com o assédio do PR levou a sigla a acompanhar de perto as razões do troca-troca. Desde o início da legislatura ocorreram 26 mudanças, e o PR foi a legenda que abocanhou a maior parte: do PFL tirou os deputados José Rocha (BA), Nelson Goetten (PR) e Tonha Magalhães (PR). A eles, além de espaço regional, teriam sido oferecidos postos no DNIT. O deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) disse que, se for comprovada a participação do Ministério dos Transportes, pedirá a CPI do DNIT. O ex-pefelista Rocha assegurou que não levou nenhuma vantagem e que só resolveu trocar de legenda como conseqüência do mau tratamento que recebia no PFL. "Não havia espaço, me senti discriminado e resolvi sair. O DNIT na Bahia já tem dono e eu não estou levando qualquer vantagem de cargos." Um assessor jurídico da deputada Tonha assegurou que ela não indicou ninguém para o DNIT, mas se declarou sem autorização para contar os motivos da troca. Procurado, Nelson Goetten não foi localizado. "A mudança vai ser ainda maior. Nós vamos ter de 10 a 15 deputados do PFL", adiantou um cacique da base governista. Outros três deputados do PPS também migraram para o novo partido, antigo PL. São eles: Homero Pereira (MT), Lucenira Pimentel (AP) e Neilton Mulim (RJ). Homero contou que ingressou no PR junto com dezenas de outros políticos do PPS do seu Estado quando o governador Blairo Maggi (também ex-PPS) decidiu apoiar Lula. "Foi uma migração em massa. Nós acompanhamos o governador." Lucenira, por sua vez, teria dito que mudou de sigla em troca de vaga no DNIT. A reportagem deixou recado em seu gabinete, mas não teve retorno. Já Neilton Mulim teria recebido proposta para ser vice-presidente do PR fluminense. O convite partiu do deputado Sandro Mattos, outro que deixou o PTB para assinar a ficha do PR, do qual é presidente no Rio. "Eu convidei o Neilton. Minha mudança tratei diretamente com o líder do PR, Luciano Castro." Até ao ex-governador Albano Franco (PSDB-SE) foi sugerido que deixasse a oposição. Se aceitasse, levaria a presidência da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara, que lhe foi negada pelo tucanato. Por enquanto, ele preferiu manter-se nas fileiras oposicionistas.

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