André Dusek/Estadão
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Base diz na CPI que governo tem interesse em investigar

Desde o dia 29 de agosto, o ex-dirigente da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, está prestando uma série de depoimentos em um acordo de delação premiada

RICARDO BRITO, DAIENE CARDOSO E RICARDO DELLA COLETTA, Estadão Conteúdo

17 de setembro de 2014 | 18h37

Diante de ataques da oposição na sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso que tem por objetivo ouvir o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, aliados do Palácio do Planalto reagiram e afirmaram nesta quarta-feira, 17, que o governo tem todo o interesse na investigação das denúncias de irregularidades na estatal.

Desde o dia 29 de agosto, o ex-dirigente da estatal está prestando uma série de depoimentos em um acordo de delação premiada no qual tem revelado suspeitas de corrupção na empresa e crimes de pagamento de propina a dezenas de políticos, inclusive do PMDB e do PT, os dois principais partidos da base aliada. Convocado a depor na CPMI que investiga a petroleira, Costa manteve-se em silêncio para não comprometer os termos da delação premiada que negocia com a Justiça Federal.

"Temos interesse que todos os fatos sejam investigados e que as perguntas sejam feitas. Não temos dúvida que a investigação demonstrará a isenção (dos governos Lula e Dilma) na condução da Petrobras", disse o deputado Afonso Florence (PT-BA), membro suplente da CPMI.

O petista também tentou tirar o governo da defensiva e disse que o PSDB, quando administrou o País, bloqueou apurações de malfeitos. "Diferentemente do que ocorreu quando o procurador-geral da República era o engavetador-geral da República", disparou. Ele também disse que não houve investigação sobre o "mensalão do PSDB" ou das acusações de compra de votos na aprovação da emenda que estabeleceu a reeleição.

Já o líder do PT no Senado afirmou que o governo tem interesse de "avançar na investigação". "Demos demonstrações cabais em relação a isso. A data desta sessão e a convocação do depoente aconteceram por consenso", disse o senador. Ele também justificou a oposição hoje da bancada do PT a um requerimento que queria transformar a reunião em secreta. De acordo com ele, haveria vazamentos em uma reunião sigilosa, que serviria apenas para a disputa política. "Seriam várias versões que poderiam ser utilizadas da forma política, como vem sendo utilizada até agora".

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse por sua vez que o ex-diretor mentiu à CPI da Petrobras do Senado. Em maio, ele depôs à comissão e negou ser um "homem-bomba". "Não me considero homem bomba de maneira alguma. Não existe homem-bomba nenhuma", disse o ex-diretor na ocasião.

"Eu me sinto humilhada aqui, o senhor se emocionou, mas faltou com a verdade", criticou a senadora do PC do B. "Não seja seletivo não, fale tudo o que você sabe", completou Vanessa.

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