Base de Haddad tenta barrar CPI dos Transportes

Sem apoio dos evangélicos e do aliado PSD, a base do prefeito Fernando Haddad (PT) tenta, nesta quarta-feira, 26, barrar em definitivo a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes. A intenção da iniciativa é apurar os contratos da Prefeitura com as empresas de ônibus e vans de São Paulo.

DIEGO ZANCHETTA, Agência Estado

26 Junho 2013 | 08h33

Na terça-feira, 25, uma manobra dos governistas conseguiu adiar a votação, sob protestos de integrantes do Movimento Passe Livre (MPL). A nova votação será posta na pauta desta quarta-feira, a partir das 15 horas.

Haddad viu sua ampla maioria do Legislativo, formada por 42 de 55 vereadores, entrar em crise após o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto (PT), dizer que a CPI só serviria para "achacar" o setor. À tarde, por volta das 14h, o vereador Arselino Tatto (PT) leu um pedido de desculpas do irmão, não aceito pelo PSD - dono de oito cadeiras. "Pela nossa dignidade, espero que amanhã (esta quarta-feira)possamos dar uma resposta à sociedade e aprovar a criação da CPI", afirmou Police Neto (PSD).

Religiosos

Os vereadores da Frente Parlamentar Cristã, com 17 parlamentares, também se rebelaram após o prefeito vetar ontem a brecha, aprovada pela Câmara Municipal no início deste mês, que reduzia regras e a exigência de documentação para a construção de templos religiosos.

"Tem de ter palavra. Eu tenho palavra com o governo e com a população", disse Jean Madeira, pastor da Igreja Universal, visivelmente exaltado com os governistas. "Até amanhã (hoje) acho que podemos ter um entendimento (com os evangélicos)", disse o líder do PT, Alfredinho.

Como os outros governistas que tentam barrar a CPI, o líder do partido de Haddad quer que a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) seja realizada nesta quarta-feira e, dessa forma, antecipar o início do recesso parlamentar. "O recesso está previsto na Lei Orgânica do Município", disse o petista.

Ricardo Young (PPS), autor do pedido da CPI, afirmou que, ao tentar barrá-la, a base governista corre o risco de transformar a Câmara em alvo de protestos. "Acho que a base vai dar um ?tiro no pé? do Haddad." A partir das 14h desta quarta-feira, integrantes do MPL prometem protestar na Câmara em defesa da CPI. "É bom os vereadores saberem que protesto não tem recesso", disse Mayara Vivian, do MPL. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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