Base de Alcântara corre risco de novas explosões, diz Viegas

O ministro da Defesa, José Viegas Filho, informou que o local onde houve o acidente que matou 21 pessoas na base aérea de Alcântara ainda oferece riscos de segurança e, por isso, a Aeronáutica está mantendo o local praticamente isolado. Segundo Viegas, a torre de onde seria lançado o Veículo Lançador de Satélite (VLS) pode ruir a qualquer momento e ainda existe a possibilidade de haver restos do combustível sólido, o que teriacausado o acidente na Base de Alcântara. "Encontramos no local um ambiente detristeza, de consternação", disse Viegas.Segundo a Aeronáutica, a operação que estava sendo efetuada pelos técnicos que morreram era praticamente rotineira. "Não era um momentode operação perigosa", afirmou o major-brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, comandante do Centro de Lançamento de Alcântara. Segundo ele, o trabalhoconsistia em colocar equipamentos pirotécnicos na nave, enquanto que outra equipe estava na torre manuseando equipamentos de filmagens, e umterceiro grupo cuidava de ajustes em parafusos e calhas e realizando a pressurização pneumática; tarefas corriqueiras. "Daí nossa dificuldadeem entender o acidente intempestivo.""Pelas imagens que dispomos, a falha iniciou embaixo do veículo", disse Ribeiro, praticamente descartando a hipótese de sabotagem, como chegoua ser cogitado no Maranhão, depois de três tentativas anteriores de lançamento de outros VLS. "A possibilidade é muito remota", afirmou ocomandante da base de Alcântara, confirmando que uma comissão de técnicos e oficiais superiores da Aeronáutica já estão trabalhando nas investigações.Visita - Viegas e o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, estiveram em Alcântara para visitar o local do acidente, masficaram pelo menos 100 metros longe de onde ocorreu o incêndio. Segundo Ribeiro, o fogo chegou a atingir mais de dois mil graus centígrados e teria começado na parte inferior do VLS, ocasionando a morte de 11 engenheiros e 10 técnicos do Instituto Aeroespecial de São José dosCampos, que estavam trabalhando nos ajustes finais da aeronave. Visivelmente abatido, Viegas garantiu que o programa aeroespecial do Brasil vai continuar e descartou a informação de que os técnicos teriam sido obrigados a antecipar o lançamento do VLS. "Não houve esforço paraapressar os procedimentos", afirmou o ministro. Na visita, Viegas afirmou que o isolamento de quase toda a base da Aeronáutica se deveu ao fatode haver perigo na área, e que a plataforma de lançamento praticamente teria caído em cima dos técnicos, diante de um intenso fogo. Para homenagear os mortos, o ministro leu os nomes de todos eles.Segundo a Aeronáutica, 16 dos 21 corpos já foram localizados, mas ainda permanecem no local por estar entre os escombros. Duas pessoas foramencaminhadas para o Instituto Médico Legal (IML) de São Luís, mas até o final da tarde de ontem não haviam sido identificados. Uma equipe decapelães, médicos e oficiais estão localizando e visitando as famílias dos técnicos em São José dos Campos, mas os militares ainda nãodefiniram se haverá enterro coletivo. Dentre os mortos estavam pelo menos 11 engenheiros que seriam os segundos na escala de profissionais daárea.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.