Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Base assedia postos da oposição no Senado

Palácio do Planalto acompanha movimentação do PMDB e do PSDB para ocupar, a partir de 2017, cargos dos petistas; oposição deve perder postos-chave

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2016 | 04h00

BRASÍLIA - Apesar de se colocar distante da disputa no Congresso, o Palácio do Planalto tem acompanhado de perto as articulações da cúpula do PMDB no Senado, que podem culminar na retirada do PT de cargos-chave do Casa, a partir de 2017. 

A eleição para o novo comando do Senado está prevista para fevereiro. Os petistas, hoje, ocupam a primeira vice-presidência e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), considerada como a segunda mais importante depois da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O receio do governo é deixar nas mãos do PT a condução das atividades da Casa em uma eventual ausência do presidente, cargo que deverá ser ocupado pelo atual líder do PMDB, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Os espaços estratégicos ocupados hoje pelos petistas caminham para ser redistribuídos entre senadores aliados do PSDB. Hoje, os tucanos detém o segundo maior número de senadores e, pela regra de proporcionalidade, podem ficar com a vice-presidência e a CAE – colegiado que será palco dos debates sobre as reformas a serem propostas por Temer.

Atualmente, a CAE é presidida pela senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), que tem usado seu posto para comandar audiências públicas contrárias à votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece limite dos gastos públicos por 20 anos.

"A estratégia do partido será a de obter os espaços mantendo o regime da proporcionalidade. Não se chegou ao entendimento sobre a retirada do PT de cadeiras estratégicas, mas acredito que vai caminhar para isso”, afirmou o vice-líder do governo na Casa, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). 

"O presidente Renan Calheiros pediu para adiar essa discussão, para ela ficar mais para frente e não contaminar a votação de temas importantes. Mas o que queremos é que seja respeitada a proporcionalidade, com o PMDB em primeiro e o PSDB em segundo”, disse o vice-presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).

Dilema. A forma como o PT vai atuar na disputa pela presidência do Senado ainda é considerada como um “dilema” entre integrantes da cúpula da legenda. As conversas sobre o tema tem ocorrido em São Paulo, na sede do Instituto Lula com a participação do ex-presidente, do presidente do PT, Rui Falcão, e do líder da legenda, senador Humberto Costa (PE).

A direção do partido tem encontrado “muitas dificuldades” em anunciar apoio a Eunício Oliveira. Uma aliança com outro candidato, porém, poderá deixar o PT fora de todos os cargos da Mesa.

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