Base aliada usará argumento de que narrativa de Janot está 'recheada de absurdos'

Temer precisa de 172 votos no plenário da Câmara para barrar denúncia; na votação da primeira, teve 263

Felipe Frazão e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 21h09

A dura nota feita para rebater a segunda denúncia apresentada pelo Procurador-Geral, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer dá o tom da confiança manifestada por auxiliares do presidente. Para o Planalto, o fato de a narrativa de ser "recheada de absurdos" e de Janot estar em uma "marcha irresponsável para encobrir suas próprias falhas" são argumentos que darão à base aliada força para rechaçar a denúncia por organização criminosa e obstrução de justiça.

Segundo uma fonte, fica mais evidente que há por parte da PGR uma perseguição contra a classe política, que pode ajudar Temer a derrubar a nova peça. Apesar de evitar falar em placar, interlocutores de Temer reconhecem que o cenário atual traçado parte da base do placar na primeira denúncia, por corrupção passiva, que o governo conseguir derrubar por 263 votos. Para que a Câmara dê andamento ao processo é preciso de 342 votos.

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Um auxiliar do presidente disse que a segunda denúncia já era mais do que esperada e não trouxe nenhuma surpresa. Além disso, ressalta que na primeira ocasião o presidente já fez uma espécie de "intensivão de defesa" ao abrir o gabinete e explicar aos parlamentares sua versão. Na primeira denúncia, Temer, além de distribuir emendas e cargos, Temer passou os dias recebendo parlamentares no gabinete em agendas que em algumas ocasiões ultrapassam 15 horas de trabalho.

Espera. Auxiliares do presidente lembram ainda que é preciso aguardar o posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), já que o ministro Edson Fachin deve aguardar um posicionamento da Corte antes de decidir sobre a tramitação da nova denúncia. A defesa de Temer quer a suspensão da nova denúncia até que se esclareçam os indícios de irregularidade em torno da delação da JBS. O plenário do STF discutirá o tema na próxima quarta-feira.

O Planalto conta ainda com a boa vontade do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já adiantou que quer acelerar o processo para tentar paralisar o menos possível os trabalhos na Casa. Segundo auxiliares de Temer, Maia tenho dado demonstrações de maior proximidade com o presidente. Nesta sexta-feira, os dois estiveram juntos em um evento no Rio, base eleitoral de Maia. 

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